sexta-feira, 8 de agosto de 2014

" navios e navegação "



 Rumos

As ordens dadas por um comandante devem ser repetidas e obedecidas rapidamente. Por exemplo:
« arribar » ou « orçar uma quarta »
Os rumos podem ser referidos quanto ao lado esquerdo do barco (bombordo), ou ao direito (estibordo), ou para a frente (à proa), ou para trás (à popa). O lado do navio resguardado do vento chama-se sotavento; o lado de onde o vento sopra é o lado de barlavento.
As manobras medem-se em graus (até 180º em cada lado do navio) ou em quartas (ângulos de 11º 15' na rosa-dos-ventos. As posições para bombordo e para estibordo estão divididas em quatro quartos cada uma com quatro quartas.
Mostra-se aqui estes quartos sempre em relação à proa do navio; refere-se ao ângulo tomado pelo vento em relação ao barco à vela.   


 


As velas

Existem dois tipos principais de velas, que frequentemente se usam , as velas redondas são de propulsão que normalmente envergam em vergas atravessadas com o mastro para aproveitar os ventos de feição. As velas latinas dispõem-se longitudinalmente com a testa envergada num mastro ou num estai. O testa da vela pode envergar numa carangueja enquanto a esteira enverga numa retranca. Muitas armações como o Ketch, a escuna e o patacho evoluíram segundo as necessidades locais. As velas são feitas de panos cosidos uns aos outros com ourelas sobrepostas, de forma a resistirem mais aos ventos violentos. Os tecidos usados tradicionalmente são o algodão e o linho; actualmente, tornou-se comum o uso de tecidos sintéticos.

*arte de uma vela – testa de uma vela:

Pano da vela, botão, patola da testa, tralha, pena, sapatilho redondo, garruncho, ilhós, punho da pena, valuma, bainha de pontos d costura, tecido sintético, forra da tralha, costura de estoque

Navegação

Navegar é a arte de levar com segurança um navio entre dois pontos definidos pela latitude e longitude. Em tempos recuados os navegadores serviam-se de marcos para se direccionarem, enquanto o marinheiro que estava de quarto se servia de uma ampulheta para saber durante quanto tempo se navegou num determinado rumo indicado pela bússola.

O sextante, como a balestilha e o astrolábio, permitia aos navegadores obterem a sua latitude através do ângulo entre dois objectos conhecidos, ou entre um corpo celeste e o horizonte. O cronómetro permitia calcular com precisão a longitude, através da comparação da hora local com a hora de Greenwich (longitude 0º) . No mar para conhecer a velocidade e a distância percorrida rebocava-se à popa uma barca de patente

Pilotagem

Navegar, usando pontos de referência conhecidos junto à costa ou em pontos, tem o nome de pilotagem. Os navegadores usam determinados instrumentos , como a bússola e as sondas, que servem para garantir que se navega numa rota segura. Na bússola um íman é atraído pelo Norte magnético. Uma rosa-dos-ventos é constituída por um círculo de papel assente sobre pequenas barras de aço magnetizado: a circunferência é dividida em graus de 0º a 360º e quadrantes, os quais indicam o rota do navio. A bússola é colocada na bitácula. Esta é formada por um pedestal de madeira onde se colocam os compensadores dos vários desvios da agulha provocados pela distorção magnética de um navio de aço. Actualmente na maioria dos navios usam-se dispositivos electrónicos para se saber a profundidade. No entanto, alguns navios ainda recorrem à linha de prumo, graduada em braças ou nós. Termos como «e meia» indicam fracções de uma braça. As bóias são flutuadores que assinalam perigos par a navegação e marcam os limites navegáveis de canais. O fim a quem se destinam determina-se pela sua forma, côr e sinais. Os faróis emitem clarões a uma cadência regular indicada nas cartas de navegação.    
Rosas dos Ventos
Nas cartas iluminadas, os rumos ou «linhas de rumo» eram desenhados, a cores, a partir de «rosas dos ventos», semelhantes às das agulhas de marear, e cada cartógrafo tinha o seu estilo próprio de desenhar essas «rosas».
O Norte destas «rosas» era representado por uma «flor de liz», símbolo empregado pelos portugueses e que depois se universalizou.
Também era uso representar o ponto cardeal «Leste» com outro símbolo, a maior parte das vezes, uma cruz, para indicar o lado do nascimento do Sol, isto é, o Oriente, donde naturalmente o termo «orientar».
A cruz a indicar o Leste de alguns mapas da Idade Média apontava, no Mediterrâneo, a Terra Santa. As cores das «linhas de rumo» nas cartas iluminadas eram as seguintes: a preto, os oito rumos principais cardeais e inter-cardeais, a verde, as oito meias partidas, e as dezasseis quartas, a vermelho.

Por exemplo a «ROSA» que figura no planisfério dito de «Cantino de 1502», não é da sua autoria nem o próprio planisfério pois trata-se de uma obra atribuída a portugueses.

Alberto Cantino foi um espião do Duque de Ferrara, Ercole d'Este, que agenciou a sua execução clandestina em Lisboa, a troco de 12 ducados, e daí o enviou ao seu senhor, em 1502.
Conserva-se na Biblioteca Extense de Módena (Itália).

In “ROSAS DOS VENTOS DAS CARTAS DE MAREAR PORTUGUESAS”. Anais do Clube Militar Naval. – Ano CXIII, N.º Especial (1983).


1 comentário:

  1. gosto desses "rumos" que muito nos guindaram até aos "quatro cantos" do Mundo.

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