quarta-feira, 15 de maio de 2013

" Miguel Corte Real e a Pedra de Dighton "

Cultura
Em 1951 o micaelense José Dâmaso Fragoso encontrou na América três Cruzes de Cristo  idênticas às dos Descobrimentos portugueses


Pedra de Dighton esteve metida na água das marés,  20 horas por dia,  no Rio Taunton até 1963.  Foi a água das marés que protegeram as inscrições de serem destruídas por vandalismo.
A Pedra de Dighton é um vestígio da presença portuguesa nos EUA, teoria que foi fortemente defendida pelo recém-falecido Dr. Manuel Luciano da Silva, o homem que mais divulgou a importância dos portugueses na História da Humanidade.
Segundo esta teoria, a Pedra de Dighton tem inscrições inscritas com o nome do terceirense Miguel Corte Real e o ano de 1511, além de ter as cruzes de Cristo, símbolo do Portugal dos Descobrimentos.
Em 1951 o micalense José Dâmaso Fragoso encontrou na América três Cruzes de Cristo idênticas às dos Descobrimentos portugueses
 

A Pedra de Dighton foi encontrada na foz do rio Taunton, em Berkley, Massachusetts.
A teoria portuguesa foi primeiramente defendida, em 1918, pelo Professor americano Edmund Delabarre, que estudou durante 12 anos tudo o que existia sobre a pedra, sobretudo as teorias já existentes.
Não concordando com o que existia, o Professor Delabarre, a 2 de Dezembro de 1918, encontrou na Pedra a data de 1511.
De seguida, Delabarre distinguiu as letras MI e CORT, que o fizeram encontrar o nome de Miguel Corte-Real.
Delabarre conseguiu “ver” ainda o escudo português em "V".


A teoria portuguesa veio alterar o que se pensava do desaparecimento de Corte-Real.
Miguel Corte-Real era filho do 1º capitão de Angra, João Vaz Corte-Real, que, em 1472, descobriu a Terra Nova, ao lado de Álvaro Martins Homem.
Assim, os filhos de João Corte-Real cresceram com o sentimento de aventura e, em 1500, um dos filhos, Gaspar Corte Real, partiu rumo à Terra Nova, chamada então de Terras dos Corte-Reais.
No ano seguinte, no Verão, Gaspar partiu numa segunda expedição ao Atlântico Norte, só que não regressou.
O seu irmão, Miguel Corte-Real partiu, a 10 de maio de 1502, em busca de Gaspar, não voltando mais.
A teoria portuguesa de Miguel Corte-Real começou a ganhar forma, confrontando-se datas, e defendendo-se, a partir de então, que Miguel não tinha morrido, tinha desembarcado junto ao rio Taunton e que sobrevivera.
 
Em 1951, o micaelense José Dâmaso Fragoso, professor na New York University, encontrou três Cruzes de Cristo, idênticas às usadas pelos portugueses, nos Descobrimentos, símbolo de Portugal, o que veio cimentar a teoria da presença de Miguel na América.
Contudo, desde 1928, quando fundou a Memorial Society de Miguel Corte Real, que comprou terra adjacente à Pedra, que Fragoso estudava detalhadamente a Pedra.
O estudioso fundou ainda a revista intitulada O Mundo Português.
A teoria ganhava forma e passou-se a defender que os portugueses tinham sido os primeiros europeus a colonizar a América.

Foi nesse momento que o Dr. Manuel Luciano da Silva conheceu esta teoria e iniciou os seus estudos sobre a veracidade, autenticidade e significado das inscrições, sobretudo quando, a 2 de Novembro de 1959, juntamente com Charles Dupont, o Dr. Manuel Luciano da Silva tirou fotografias da pedra, decalcou as formas de símbolos que provavam a presença do terceirense junto ao rio Taunton.
Em 1960, no I Congresso Internacional dos Descobrimentos, em Lisboa, o Dr. Manuel Luciano da Silva apresentou a descoberta da quarta Cruz da Ordem de Cristo e reafirmou a teoria portuguesa da Pedra de Dighton.
Vista panorâmica do Museu da Pedra de Dighton. O edifico que tem a janelas pequenas chame-se Pavilhão e é onde está guardada a Pedra de Dighton dentro duma vitrine de vidro.  O edifício da frente é o Museu propriamente dito e contem  os painéis e os artefactos marítimos.
Apesar de alguma apatia por parte de muitos presentes no Congresso, o Dr. Manuel Luciano da Silva lutou e conseguiu que a Pedra de Dighton fosse retirada do rio Taunton e fosse criado um museu em torno da Pedra, em Massachusetts, do qual foi director, merecendo, ao longo dos anos, o apoio de muitos investigadores.
Publicou ainda Os Pioneiros Portugueses e a Pedra de Dighton, com o objectivo de difundir a presença dos portugueses, destacando os Açores, para a História americana.

Dighton Rock State Park
Atendendo aos vários estudos sobre a teoria, a Pedra de Dighton prova que Miguel Corte-Real chegou à América e que viveu lá, pois vários relatos deste período falam da presença de homens brancos, que chegaram àquelas terras “numa casa de madeira”, ou “num pássaro”, tendo-se estabelecido com os índios. Miguel Corte-Real marcou na rocha o nome, a data e as cruzes da Ordem de Cristo, para que alguém visse que ali tinha estado um português.
É pouco provável que tenha encontrado Gaspar, pois se assim fosse, teria deixado inscrito este facto na rocha.



Se pensarmos na data de 1511, não haveria muitos navegadores capazes de explorar, naquele momento, estes territórios tão bem como Corte-Real, visto a família já ter estado naquelas terras e de ter conhecimentos de náutica capazes de navegar até lá.
O Dr. Manuel Luciano da Silva morreu, mas o seu legado continua vivo.
A teoria tem sido aceite e divulgada por um crescente número de investigadores.
Um dos objectivos do antigo Director do Museu da Pedra de Dighton foi divulgar a teoria e já existem várias réplicas espalhadas pelo país, menos em Angra, um dos seus sonhos.
Apesar da morte do Dr. Manuel Luciano da Silva, a réplica foi concluída recentemente e será trazida para a Terceira, para ser colocada no Terceira Mar Hotel, com apoio dos Bensaude


É importante que se relembre o nosso passado glorioso e que se divulgue a vida, os feitos e os protagonistas da nossa História.
Celebrar os Corte-Reais, é relembrar o que demos ao mundo e o que ainda podemos dar, mas temos de gostar do que é nosso e preservar a memória e a História do nosso povo.
Não podemos continuar a esquecer o papel e a história da Pedra de Dighton e dos Corte-Reais… pois é o exemplo maior da nossa importância para a História da Humanidade… e do nosso ADN insular e “açórico”. (Título original: Pedra de Dighton - Vestígios da História)
FRANCISCO MIGUEL NOGUEIRA
Historiador e Investigador
Natural da Agualva, Terceira, residente na Praia da Vitória

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