sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

viagens das expedições marítimas do navegador Diogo Cão “ um problema ainda em aberto”




Sabe-se que a história dos descobrimentos marítimos está recheada de incongruências, muito fértil neste tipo de situações,   distorcem com regularidade a realidade dos factos ocorridos.
As viagens das expedições marítimas do navegador Diogo Cão encontram-se no segredo dos deuses por não existir  um "roteiro" "Diário de Bordo" dessas viagens, que desapareceu!!!..
Para colmatar esta situação recorreu-se ao plausível, .... os padrões implantados ou erguidos pelas guarnições do navegador.
Assim sendo, o que lá se vê e lê nas inscrições, dá-nos a luz do que se terá passado realmente, pelo menos na questão das datas das viagens realizadas!  

O padrão de Stº Agostinho, o 2º padrão a ser erguido no Cabo de Stª Maria (Angola), Sul de Benguela ou a 50 Km a Norte de Lucira Grande, nota-se com clareza o momento (data)) , ano de 1482,  em que o padrão terá sido feito nas pedreiras  de calcário em Azambuja, Lisboa, antes dessa viagem ter início: não é credível que a inscrição do padrão fosse elaborada no próprio local “ Cabo de Stª Maria”, denominado de “Cabo do Lobo” onde foi colocado pela guarnição.
O dia de Stº Agostinho é dedicado a 28 de Agosto. Foi nesse dia de 28 de Agosto de 1483 a data da implantação do padrão.
Nota-se ainda, e o mais importante o desenho do “símbolo da  Bandeira Nacional”.
Escudetes laterais apontados ao centro e a flor-de-lis própria da dinastia de Avis, iniciada com o rei D. João I em 1383 !
No símbolo verifica-se que os escudetes laterais , isto nunca foi dito, salvo e honra seja feita ao Geógrafo e epigrafista  "Luciano   Cordeiro"  no século XIX, divulgado na sua “Monografia”, que se encontra na Sociedade de Geografia arquivada e escondida a sete chaves, não teve os reflexos históricos que se exigia, estão virados ou apontados ao centro. 

Quanto ao Padrão de S. Jorge o 1º padrão a ser erguido nessa viagem na península extrema, margem esquerda e Sul da foz do rio Zaire, pela guarnição a 26 de Abril de 1483, o dia de S. Jorge comemora-se a 23 de Abril. Não se conhece nada sobre as inscrições do padrão de S. Jorge.
O Sr. Edgar Prestage no seu livro “descobrimentos portugueses”, informa que os holandeses um dia do ano de 1642 aportaram ao estuário da foz do rio Zaire. 
Por ali deambularam algum tempo até que se lembraram de fazer alvo de artilharia o azarado padrão original que foi destruído!
Na sua estadia que durou oito anos, os holandeses ainda fizeram algumas benfeitorias. 
Construíram pavilhões de campanha, servindo de armazéns e mercadorias confiscadas, tráfego de escravos. Em 1975 eram bem visíveis alguns desses pavilhões. A antiga administração civil de Sazaire ainda funcionava num destes pavilhões feitos pelos holandeses..
Mais tarde, um dia do ano de 1855,uma armada da Inglaterra, entrando gloriosamente na foz do rio Zaire destruíram a tiros de canhão a 1ª réplica do padrão de S. Jorge., implantada em 1648, quando estabelecida a soberania Portuguesa em Angola por Salvador Correia de Sá e Benevides.
Henrique Galvão no seu livro “Outras Terras outras Gentes” diz que aqueles os “ingleses” que se esqueceram de aparecer 400 anos antes para descobrir qualquer coisa, entraram airosamente no estuário do rio Zaire fazendo tiros de artilharia ao alvo da réplica do Padrão! Os habitantes locais, ciosamente guardaram os restos do padrão, dizendo que os bocados eram um poderoso “feitiço”. Mas estes não eram civilizados....

Conclui-se que a partir de meados desse ano de 1482 teve início uma viagem de exploração marítima ao longo da costa ocidental de África, além da latitude ou paralelo 2º Sul,( Cabo de Stª Catarina), Gabão, última etapa reconhecida por Rui Sequeira em 1475, no reinado de D. Afonso V, comandada pelo navegador Diogo Cão a mando do D. João II, que levava a bordo dois padrões de pedra calcária, semelhantes.
Esta viagem teve início no ano de 1482, já com o Castelo de S. Jorge da Mina, no Gana praticamente concluído para dar apoio logístico a futuras explorações marítimas, traficar ouro, pedras preciosas e escravos.

A meados de 1482 mês de Junho, S. Jorge da Mina, no Gana estaria já em fase de conclusão.
Foi a partir desta data, que a frota da guarnição de Diogo Cão, reunia as condições de iniciar a aventura de cruzar o Equador e fazer-se ao desconhecido para além do Cabo de Stª Catarina!

De acordo com o célebre Duarte Pacheco Pereira , o método da navegação bordejando a costa, se era vantajoso por permitir um meticuloso conhecimento da costa, não era isento de graves dificuldades, estavam a navegar contra correntes e ventos contrários, ainda aconselhava, “sabendo pouco a pouco o que nella hia, a asy suas Rootas e conhecenças, e cada província de que gente era, pela verdadeiramente saberem ho luguar em que estauam, por onde podiam seer certos da terra que hiam buscar” [Esmeraldo de situ orbis].
Esta viagem teve o seu término em Lisboa, finais de Março ou princípios de Abril de 1484 e porque assim foi....

Uma vez chegado, D. João II, reconhecendo os serviços prestados, “..... Diogo Cão, assi tanto nas partes da Guiné como em outros lugares nos tem mui bem servido, em especial em esta ida onde o enviamos a descobrir terra nova nas ditas partes da Guiné, de onde ora veio...”, Carta régia de 4.04.1484, concedeu-lhe uma tença anual de 10.000 reais brancos.

Seis dias depois 14.IV.1484, foi-lhe passado carta de enobrecimento, em que se atende não só os seus serviços, mas também aos de seu avô, Gonçalo Cão, no tempo de D. João I, nas lutas contra Castela, e aos de seu pai, Álvaro Fernandes Cão no reinado de D. Afonso V.

Conclusão: Esta viagem de exploração marítima tendo início a partir de meados do Ano de 1482, teve o seu término em princípios do ano de 1484

nas inscrições das cataratas de Yellala em Novembro de 1485 nota-se modificação do escudo, todos os escudetes virados para baixo
padrão do Cabo Negro, o 3º padrão a ser  erguido pela guarnição no cabo Negro, Angola a 16 de Janeiro de 1486, na segunda expedição marítima, à latitude 15 º 40' Sul e longitude 11 º 55' Este. Encontra-se em estado avançado de deterioração, não é possível apurar a data da sua  inscrição. Nota-se que o Escudo da Bandeira tem uns traços semelhantes ao do padrão do Cabo da Cruz ou da Serra, conhecido na versão inglesa por Cape Cross , Namíbia, antigo Sudoeste Africano.

padrão de cabo da Cruz ou da Serra, o 4º padrão a ser erguido pela guarnição nesta expedição marítima Fevereiro ou Março de 1486 em "Cape Cross", Sudoeste Africano, Namíbia,  à latitude 21º 46' Sul e longitude 13º 57' Este.  
Neste padrão nota-se boa visibilidade do escudo da Bandeira Nacional. Os escudetes todos virados para baixo e a  flor-de-lis  suprimida e redução do número dos castelos.

Existem duas inscrições uma em português e outra em Latim. A inscrição em Latim  refere a data de 1485, sendo  imperceptível o último algarismo da data  na inscrição em Português, 148__. O único padrão que mantêm a cruz original de pedra calcária.
As modificações foram introduzidas no escudo da Bandeira Nacional pelo rei D. João II, depois de Março de 1485.

"Como o livro da chancelaria relativo ao ano de 1485 se encontra perdido, existem elementos de arquivo na Câmara Municipal do Porto, vereações vol.5º  págs 83-84) que permitem asseverar que o rei D. João II  não estava em Beja antes de Março de 1485, data em que decretou a modificação do Escudo" .
Com efeito, os cronistas Garcia de Resende (Crónica de D.João II. cap. 55 e 56 e João de Barros, crónica de D.João II cap, 18 e 19, afirmam ter sido em Beja, em 1485, que o monarca decretou as modificações do escudo nacional.
"Supressão da flor-de-lis (Cruz de Avis), redução do número de castelos a sete, modificação da posição dos escudetes laterais, que deixaram de ser apontados ao centro, para o serem para baixo."    e redução do número de castelos
A construção dos padrões feitos de pedra calcária e suas inscrições foram concluídos  antes das expedições de exploração marítimas terem início! Assim, a data 1485 dos 3º e 4º padrões corresponde a outra viagem.
Neste contexto uma viagem iniciada em 1482 e outra iniciada em 1485 correspondem a duas viagens.

Quanto ao assunto das viagens do navegador ser “ um problema ainda em aberto” segundo “Carmen Radulet”, apraz registar que a  historiadora pode apresentar dúvidas, de quantas viagens de exploração marítima foram efectuadas para Sul do Equador ao longo da costa ocidental pelas, guarnições de Diogo Cão !...

Terão sido várias, ... quantas necessárias, ninguém sabe, na possibilidade delas terem existido nunca foram além da  baía de Molembo ou baía de Cabinda, “ angra das Almadias” ! 

Não existe qualquer memória descritiva ou mítica de terem chegado à foz do rio Zaire  muito menos a Sul da futura Angola, antes de Abril de 1483!