sábado, 21 de janeiro de 2012

"Austrália descoberta por quem ? "

A descoberta em Darwin de um canhão de bronze do séc. XVI, de indiscutível manufactura portuguesa, indica que chegámos à Austrália muito antes dos holandeses, os descobridores oficiais.

Um rapaz de onze anos passeava numa praia da região de Darwin, no Norte da Austrália, quando tropeçou num objecto metálico que despontava da lama, na maré baixa. Intrigado, chamou o pai - e ambos recolheram o estranho artefacto de forma tubular.
Dois anos e muitas pesquisas científicas depois, sabe-se que o achado é um pequeno canhão pedreiro de bronze, com cerca de dois metros de comprimento, fabricado em Portugal no século XVI e usado nas naus lusitanas da época como arma anti-pessoal.
O achado põe em causa todas as teorias oficiais sobre a descoberta da Austrália, atribuída ao navegador holandês Willen Jansz, que ali chegou já no séc. XVII, em 1606, com o seu navio Duyfken.
 1547 mapa original costa Leste e Norte da Austrália 
Na verdade, os descobridores portugueses navegavam por aqueles mares desde o início do séc. XVI, tendo ocupado Timor logo em 1515.
Mas não existia, até agora, evidência de que tivessem então alcançado a Austrália, 700 quilómetros mais a Sul.
Os especialistas estão agora a estudar em pormenor o achado de Dundee Beach, situada a cerca de duas horas de Darwin, mas dificilmente a Holanda admitirá sem luta que a glória da descoberta não lhe pertence.
1547 mapa original costa Sul da Austrália
Na Imprensa flamenga insinua-se já que o canhão de bronze poderia ter sido "arrastado pelas correntes" - uma tese difícil de aceitar no caso de um objecto tão pesado, embora de pequenas dimensões.
Entre os académicos australianos, o indício de que naus portuguesas poderão ter chegado ao Norte da Austrália ainda no séc. XVI é aceite como plausível
1547 mapa original costa Leste e Norte da Austrália posição invertida
1547 mapa original costa Leste e Norte da Austrália posição correcta
O facto de cartas de marear europeias do início desse séc. já mencionarem o território australiano tem sido admitido nos meios científicos como indício de que os portugueses tiveram um contacto pioneiro com o território, pois as fontes da cartografia do período eram geralmente navegadores lusitanos.
Contudo, faltava ainda uma primeira prova material, que parece ter finalmente vindo à superfície na praia de Dundee.

ACHAMENTO DA AUSTRÁLIA

Luis Arriaga   

Os Portugueses foram os primeiros ocidentais a chegar à Austrália!

A suspeita existia há muito e eu próprio já procurara nos Arquivos da Armada Portuguesa provas ou indícios de que os Portugueses haviam sido os primeiros ocidentais a chegar à Austrália.

De facto, há dias chegou-me por mail, uma notícia proveniente da credível Agência Reuters dando conta da comprovação feita nos Estados Unidos da América, pelo professor australiano Peter Trickett, ao investigar numa biblioteca americana de Los Angeles, dados sobre Camberra, e de ter encontrado, por mero acaso, as provas há muito procuradas.
Com efeito, os primeiros navegadores ocidentais a fazer o “achamento” (era essa a expressão que antigamente se usava) da imensa costa australiana – primeiro a Norte e depois a Leste, foram os marinheiros da frota de um tal Mendonça, ao serviço da coroa portuguesa, tendo cerca de 1520 a 1522 chegado ao Botany Bay (hoje a zona onde se situa o aeroporto de Sydney), isto é, cerca de 250 anos antes do inglês James Cook, o almirante da versão oficial.
Os factos baseiam-se em Portulanos (nome que era dado aos mapas e cartas de marear) desenhados por copistas franceses (normalmente nos séculos XV e XVI os copistas eram todos franceses, alemães ou italianos), e que continham desenhos perfeitíssimos da costa leste da Austrália.
Nesse tempo, o navegador português Cristóvão de Mendonça, sediado em Malaca ( a leste de Ceilão, hoje Sri Lanka), procurava em segredo, com a sua frota de quatro navios, encontrar a lendária Ilha do Ouro, descrita por Marco Polo como situando-se a Sul de Java.
Curiosamente, estas terras longínquas do Sul foram primeiro designadas como Terra Java.
Nos referidos Portulanos constam também elementos que fazem crer que, na ocasião, estes navegadores lusitanos tenham visitado a Kangaroo Island e no regresso  a Malaca, tenham decidido voltar pela ilha Norte da Nova Zelândia.
Estas ideias são ainda reforçadas pela descoberta de utensílios e artefactos portugueses de então, (século XVI), nas costas da Austrália e Nova Zelândia.
Para Além do Capricórnio” é o nome do livro de que se terá socorrido o Professor Peter Trickett para fundamentar as suas recentíssimas investigações, que só vêm afinal comprovar as suspeitas existentes sobre a autoria do achamento destas terras do Sul – significado etimológico da expressão Austrália.
Os portugueses não terão divulgado na ocasião tal descobrimento para não arranjarem conflitos com a coroa castelhana, devido aos acordos firmados no âmbito do Tratado de Tordesilhas.
Também a pujança colonizadora dos lusitanos era manifestamente parca, uma vez que as caravelas, depois de largarem gente e bagagens em Cabo-Verde, Guiné, Angola, Moçambique, Índia, Macau e Timor, já praticamente nada, nem ninguém sobrava para colonizar a Terra Java!
Terá sido um esforço notável, próprio de gente de uma dimensão extraordinária, aquele que ainda hoje, quinhentos anos depois, nos envaidece e justifica, que com orgulho pátrio divulguemos que os primeiros ocidentais a arribarem a estas terras foram os nossos ascendentes!

Luis Arriaga (em Sydney) 

" Austrália descoberta pelos Portugueses"


Por J. Chrys Chrystello

Desconhecida para a maioria das pessoas é a história deste país, que nas últimas décadas sofreu várias alterações conceptuais. É agora aceite, pela maioria dos historiadores, que os primeiros europeus a navegarem e a traçarem cartograficamente a costa australiana não foram, ao contrário do que tem sido ensinado ao longo dos 200 anos da nação, o capitão Cook e seus correligionários, mas marinheiros portugueses que o fizeram mais de 250 anos antes daqueles.
A teoria de os portugueses terem sido os primeiros, não é de agora nem sequer é nova. Com efeito, celebrou-se em 1984 o centésimo aniversário de tal teoria, defendida então pelo historiador George Collingridge, o qual, infelizmente, jamais a conseguiu provar.
Depois dele, vários outros tentaram sem sucesso demonstrar a viabilidade de tal interpretação, jamais se quedando para além da especulação.
Em 1977, um advogado, Kenneth Gordon McIntyre, publicou um livro intitulado "A Descoberta Secreta da Austrália" que veio alterar totalmente este estado de coisas, passando a partir daí, a ser o ónus dos cépticos de desmentirem as suas alegações.
Embora McIntyre (ver Anexo VIII) não seja um historiador na acepção académica do termo, certo é que os seus estudos passaram a ser aceites pela maioria dos académicos de todo o mundo. E, embora o autor confesse que tal publicação, umas décadas antes, era impensável, nem teria qualquer probabilidade de ser tomada em consideração, devido à questão de honra que constituía para qualquer historiador britânico assumir a descoberta da Austrália como inegavelmente devida a Cook, certo é que esse xenofobismo se esfumou desde os tempos de Collingridge.
Para um dedicado estudante de Cook, conselheiro da Real Sociedade Australiana de História, também o problema da religião influiu na refutação das teorias de Collingridge.

Como católico era visto como oponente das correntes maioritárias protestantes a que o próprio Cook pertencera.

Torre portuguesa de Eden - Nova Gales do Sul - Austrália 
A versão de McIntyre tem consideráveis implicações na história europeia da Austrália, colocando toda a temática da primeira colonização numa perspectiva e diferente escala temporal.
Significa que os portugueses atingiram Botany Bay e Sydney Heads (pontos costeiros da actual Sidney) cerca de 1524, ou seja, 40 anos antes do nascimento de Shakespeare e sete anos antes das teorias de Martinho Lutero terem atingido a luz do dia.!!!
Tal versão dá-nos também uma diferente leitura da viagem de Cook, mais próxima dos tempos actuais do que da inicial viagem dos marinheiros portugueses.
O interesse de McIntyre por Portugal deve-se a fortuito acontecimento associado à sua posição de Leitor de Literatura Inglesa na Universidade de Melbourne, quando tomando conhecimento da obra de Elizabeth Barrett Browning "Sonetos Portugueses", um imenso interesse o despertou para a língua e história portuguesas.
Assim, em 1966, realiza a sua primeira viagem a Timor Português, que então celebrava o seu 450º aniversário de colonização lusa.
Duas coisas o impressionaram sobremodo nessa visita: primeiro, a distância relativamente curta a que Timor se encontra da Austrália (416 km por mar ou ½ hora de viagem aérea), segundo, que uma potência marítima como Portugal tivesse uma colónia tão perto do continente australiano, 254 anos antes da chegada de Cook.
Poderia, então, ser possível que os experientes marinheiros portugueses, capazes de saberem lidar com todos os segredos das velas e dos barcos, que lhes permitira chegar a Timor em 1516, durante séculos nunca tivessem chegado à vasta massa continental da Austrália? (ver Anexo V)
Não havia dúvidas de que a história da exploração necessitava de ser reexaminada.
Assim, sem querer, estava a aproximar-se da tese de Collingridge datada de 1880. Tal como o seu antepassado, McIntyre descobriu que um antigo mapa (ver Anexo II) provava não apenas que os portugueses tinham atingido a Austrália, mas que haviam traçado 2/3 da sua costa.
A sua interpretação do referido mapa provaria ser, no entanto, irrefutável, ao contrário dos esforços do seu compatriota.
O mapa em questão, denominado o mapa Delfim (ver Anexo VII) por ter sido elaborado para o delfim do trono francês, data de 1536, e é o mais antigo de todos os mapas da antiga escola (e maior centro cartográfico da época) de Dieppe.
É um mapa do mundo, tal como era conhecido na época, que incluía já as ilhas do arquipélago indonésio e uma vasta massa continental, que se estendia a sul da Indonésia e a que se chamava, então, Java a Grande (Jave la Grande).
Este era aliás, o nome que lhe havia sido dado antes por Marco Pólo, designando uma vasta área de terra que se sabia existir na região.
Ruinas de Bittangabee Bay - Ben Boyd National Park -
Java, a Grande, tal como aparece no mapa em questão, tem uma vaga semelhança com a forma da Austrália actual e encontra-se a cerca de 1 500 km a oeste da real posição do continente.
O mapa mostra, assim, uma distorção da verdadeira imagem do continente, devida ao facto de os portugueses da época não saberem calcular, com exactidão, a curvatura do globo e os desvios provocados pelo campo magnético terrestre. (ver Anexo I)
McIntyre não foi o primeiro a descobrir este facto, mas os outros haviam-no feito sem qualquer credibilidade, enquanto ele resolveu dedicar-se a estudar com precisão o método cartográfico português utilizado há mais de 450 anos, servindo-se de um tratado da autoria do célebre matemático Pedro Nunes.
Assim, habilitado com os erros da técnica utilizada, à data, pelos portugueses, foi capaz de estabelecer os desvios existentes e, eliminá-los.
Para isto, serviu-se de elaborados cálculos matemáticos capazes de desafiar qualquer outra possível explicação. Os resultados eram, de facto, surpreendentes.
Depois de corrigidos os desvios, provenientes dos cálculos dos cartógrafos portugueses, o mapa Delfim (Ver Anexo XI) aparecia com uma imagem, deveras detalhada, e perfeita da costa australiana, a norte, leste e oeste.
Até a larga península triangular na extremidade sudeste se encaixa perfeitamente na versão reconstruída do mapa, devendo-se isto ao efeito de preparar mapas bidimensionais, através de cortes ou segmentos do globo terrestre, os quais eram posicionados ao lado uns dos outros para se obter o efeito final, deste modo, exagerando o Cabo Howe e as suas dimensões (ver mapas reproduzidos nos Anexo I).


O mapa português da Austrália, conhecido por "Terra de Java"pertencente à Biblioteca de Huntington, San Marino, Califórnia, EUA. Este mapa descreve com precisão e em português vários locais ao longo da costa Este australiana. A exacta disposição deste mapa só recentemente foi realizada por Peter Trickett.
A versão de McIntyre para os mapas de Dieppe, baseada nos originais ali arquivados, pareceu-lhe prova suficiente de que os portugueses haviam, de facto, traçado uma larga parte da costa australiana, antes de 1536, data do mapa Delfim (ver Anexo VII).
A partir daqui, começou a tentar, porém, descobrir quem teria sido o marinheiro português capaz de tal feito.
Neste campo hipotético, tudo parece apontar, como responsável único, para Cristóvão de Mendonça, capitão da Marinha Portuguesa, que partiu de Malaca, em 1521, com três naus, em busca das ilhas do Ouro, então, supostamente localizadas a sul das Índias Orientais.
O mapa Delfim comprova que Mendonça (ou outro) passou pelo Estreito de Torres, virando a sul na zona do Cabo Iorque e percorreu parte da costa oriental.
Dentre os locais possíveis de identificar naquele mapa aparecem o Cabo Melville, a Grande Barreira de Corais, o porto de Cooktown, a ilha Fraser e a baía de Botany.
Depois de dobrar o Cabo Howe, e dirigindo-se para ocidente, Mendonça terá acompanhado o que é hoje a costa do estado de Vitória, até ao Cabo Ottway e à Baía de Phillip, quedando-se em Warrnambool, a partir de onde terá decidido não prosseguir mais além

1547 mapa original costa Leste e Norte da Austrália posição invertida
Existe aqui uma intrigante coincidência, pois é neste ponto onde Mendonça decidiu regressar, que mais tarde haveria de aparecer o célebre e misterioso "Mahogany Ship" (Nau de Mogno, ou madeira de caju ver Anexo IX)), do qual existem cerca de 27 relatos diferentes, entre 1836 e 1880, e que depois desta data, parece ter desaparecido, de vez, das dunas de Warrnambool.
De acordo com as descrições existentes tratava-se de um barco extremamente antigo e com um estilo de construção semelhante ao das caravelas portuguesas da época quinhentista.
A tratar-se de uma das naus de Mendonça, poderia estar assim explicada a razão pela qual ele não prosseguiu na sua exploração da costa australiana em 1524.
A lista dos historiadores que, finalmente, se decidiram a aceitar a teoria de que os portugueses descobriram a Austrália (antes de outros europeus) vem a aumentar desde que, em 1977, McIntyre publicou o seu livro.
O Prof. Geoffrey Blainey (célebre historiador) admite-o no seu livro "A Land Half Won" ("Uma Terra Meia Conquistada"). T. M. Perry, leitor de geografia da Universidade de Melbourne, no seu livro "A Descoberta da Austrália", e o Prof. Russel Ward, na sua obra "A Austrália Desde a Chegada do Homem (Australia since the coming of man) " admitem igualmente esta "descoberta" da Austrália, aceitando a tese de que a descoberta da Austrália pelos portugueses, antes de 1536, foi, "uma possibilidade, uma probabilidade, uma verdade conclusiva".
Na prática, porém, o Capitão James Cook continua ainda a ser tema da descoberta da Austrália em muitos livros escolares.
Não há dúvida de que uma teoria tão radical como a de McIntyre vai demorar mais de uma geração a impor-se à burocracia educacional.
Curiosamente porém, foi o estado de Vitória, de onde é natural e onde trabalhou sempre McIntyre, o primeiro a incorporar tal teoria nos livros de história oficialmente utilizados. (ver mapas 1-4 Anexo 1). Quando os portugueses aqui estiveram (Austrália) na primeira metade do século XVI, os aborígenes viviam contentes e nalgumas regiões do país haviam-se habituado a mercadejar com estrangeiros.
Há provas evidentes disso com os pescadores e mercadores de Macassar, na altura uma possessão dominada pelos Portugueses, na qual havia sido adoptado um dialecto crioulo derivado do Português.
O próprio Capitão Cook regista na passagem por Savu com a data de 19 de Setembro de 1770, ter-se servido de Manuel Pereira, o português embarcado na "Endeavour" no Rio de Janeiro para se entender com os locais.
A presença de aborígenes brancos está assinalada, assim como a presença de mestiços aborígenes com traços timorenses ou malaios, nas costas ocidental e norte da Austrália.
Para a presença dos portugueses como a História pela mão de Kenneth McIntyre parece provar, curioso será recordar uma "descoberta" em 1967: uma construção em Bittaganbee (ver Anexo III), perto de Eden, na costa sul de Nova Gales do Sul.
Ruinas de Bittangabee Bay - Ben Boyd National Park -
As ruínas ainda hoje existentes atestam a presença de uma casa de pedra, com uma plataforma de 30 por 30 metros, rodeada por largos pedaços de rocha irregularmente cortadas, que em tempos serviram de paredes a tal construção, com existência de alicerces. A construção, sem tecto, é feita de pedra local, e pedaços de conchas marinhas servindo de estuque. (McIntyre interroga-se "Seria isto o quartel general de Inverno de Mendonça?"
Dentre as possibilidades de analisar essa construção, uma é a do enorme esforço e trabalho que a mesma terá envolvido para transportar, trabalhar e erigir a mesma, em especial dado o tamanho de algumas daquelas pedras.
Esse tipo de construção só pode ter sido efectuado por uma tripulação completa de um navio da época, não podendo ser obra de um pequeno grupo de degredados ingleses ou pessoas isoladas.
O primitivismo da construção, semelhante a uma fortificação, é único na Austrália, e decerto antecede em séculos a formação da vila que só foi fundada em 1842 com materiais e fundos londrinos.
Mas, curiosamente se aquela construção aqui está fora de lugar, esta construção é semelhante a outra descoberta nas Novas Hébridas, também em 1967: a célebre "Nova Jerusalém" criada em 1606 por Pedro Fernandes Queirós, que juntamente com Luís Vaz de Torres eram portugueses, ao comando de naus espanholas navegou por estas paragens austrais.
Um outro facto perturbador é o de existir uma data inscrita numa das pedras que 15(?)4, embora o terceiro dígito não pareça um 2, o que a localizaria na época de Mendonça. Cristóvão de Mendonça teve uma presença marcante nestas costas australianas e neozelandesas que importa desvendar.
Uma das suas caravelas perdeu-se nas dunas de Warrnambool na Austrália do Sul, a segunda, provavelmente na costa neozelandesa, mas decerto a terceira conseguiu regressar a Malaca, Goa e Lisboa.
Faria e Sousa regista que Mendonça efectuou uns anos mais tarde nova viagem a Goa, antes de ser nomeado Governador de Ormuz, quiçá por serviços prestados na descoberta da Austrália.
Em 1817, quando o governo da coroa britânica se mostrou interessado na Nova Zelândia, que em breve se tornaria sua colónia, o almirantado em Londres estudou os mapas ingleses da época comparando-os com a versão de La Rochette (1807).
 Neles existe uma anotação dessa data (1817) afirmando que embora a Nova Zelândia tenha sido descoberta por Abel Tasman em 1642, a sua costa era conhecida dos portugueses desde 1550.
Este documento ainda hoje existe nos Reais arquivos públicos de Londres. No Museu de Wellington (Nova Zelândia) existe um sino de bronze (ver Anexo IV), descoberto pelo Bispo William Colenso em 1836 e o qual estava na posse dos Maoris (aborígenes locais) que declararam tê-lo há muitas gerações.
No sino existe uma inscrição em Tamil (língua indiana, o idioma da Goa de então, que era a capital oriental do Império Português.
Idênticos sinos foram descobertos em Java datados do início do século XVI e todos os barcos portugueses da época transportavam consigo goeses e outros indianos, os "Lascaria" como ajudantes da tripulação.
Relativamente a este assunto, outro semelhante tem surgido nalgumas páginas da imprensa local (australiana), ou seja, o estudo da presumível descoberta da Nova Zelândia pelos portugueses, face a recentes descobertas ali efectuadas de restos de naus quinhentistas e utensílios tipicamente portugueses.
Na altura (1984), o Consulado Geral de Portugal em Sydney recebeu pedidos de colaboração para o estudo em causa, por parte de historiadores neozelandeses.
Será que algo foi feito? Mais de vinte anos mais tarde sabemos que nada se concretizou.
Terão de ser sempre os estrangeiros a dizerem-nos o que descobrimos, como e quando?
Haverá, em Portugal, alguém interessado em ajudar a desvendar este e outros factos gloriosos da epopeia lusa?
Ruinas de Bittangabee Bay - Ben Boyd National Park -
O interesse existe neste continente australiano para se estabelecer a verdade histórica dos factos: será que os homens de hoje têm a vontade e capacidade de reporem Portugal no lugar a que tem direito, como país pequeno que deu novos mundos ao mundo, tal como aprendi nas cábulas de ensino oficial anteriores ao 25 de Abril?
Ou será, que na pressa de escrevermos a história presente olvidaremos os grandes homens do passado, a quem devemos hoje esta cultura miscigenada que nos distingue?
A resposta, a quem competir responder. Chegamos aqui primeiro e aqui estou eu a repetir um trajecto de antanho, projectando uma imagem do país que fomos e que gostaríamos de voltar a ser.
Quando nos aproximamos dos 500 anos passados, quem chegou primeiro a estas plagas?
Depois dos aborígenes, tudo parece confirmar que foram os portugueses os primeiros europeus.
Quando, como, e em que condições? Para quando a verdadeira história dos descobrimentos, agora que a celebração dos seus 500 anos já passou à história?........
Recordemos que até 1832 a Inglaterra não reconheceu como suas as possessões da Austrália Ocidental aguardando que Portugal as reclamasse.
Quem sabe se hoje não teríamos metade deste enorme continente a falar Português? Decerto que muitos dos cerca de um milhão de aborígenes poderiam não ter sido exterminados como foram e a Austrália poderia ser mais multirracial do que é.
Este era o tema do tal documentário ficcionado que apresentei à televisão SBS., e à ABC.
Ambas as teses aqui delineadas hoje deviam constar dos programas curriculares portugueses como já constam de muitos dos programas australianos.

"Dês que passar a via mais que meia
Que ao Antárctico Pólo vai da Linha,
Duma estatura quási giganteia
Homens verá, da terra ali vizinha;
E mais àvante o Estreito que se arreia
Co’o nome dêle agora, o qual caminha
Para outro mar e terra que fica onde,
Com suas frias asas, o Austro a esconde".

In Luís Vaz de Camões. Canto X, 141, Lusíadas 1572


Mapa Português que foi trocado.
Em 2007 Peter Trickett publica "Beyond Capricorn", onde revela mais um dado sobre a descoberta da Austrália.
Ao estudar uma colecção mapas dos século XVI, o célebre Atlas de Vallard feitos a partir de 15 mapas roubados em Portugal, descobriu que um deles representa a costa Este da Austrália.
Os ladrões (franceses) desconhecendo a configuração precisa da Austrália trocaram a ordem dos mapas lançando desta forma a confusão nos historiadores
O descobridor da Austrália foi Cristovão de Mendonça que vindo de Malaca (actual Malásia) chegou à Baia da Neve (actual Botany Bay) com uma frota de quatro navios em 1522, quase 250 anos antes do capitão inglês James Cook (o achamento oficial deu-se entre 1768 e 1771).
Terão os portugueses informado os ingleses da existência da Austrália no século XVIII ? Recorde-se que a Inglaterra era aliada de Portugal, tendo desde o século XVII lhes sido dadas várias possessões ultramarinas portuguesas como a cidade de Bombaim na India.

Portugueses e Aborigenes .
Os portugueses chegaram à Austrália na primeira metade do século XVI, tendo estabelecido relações com os aborígenes. Estes terão igualmente estabelecido  relações com possessões portuguesas da região. Foi talvez por esta razão que o Capitão Cook regista na passagem por Savu, a data de 19 de Setembro de 1770, ter-se servido de Manuel Pereira, o português embarcado na ‘Endeavour’ no Rio de Janeiro para se entender com os locais.

Achados arqueológicos.
Fortificação. Kenneth McIntyre, em 1967, descobriu uma primitiva fortificação (? ), em Bittaganbee, perto de Eden, na costa sul de Nova Gales do Sul que teria sido feita no século XVI, pelos portugueses.

Navio.
Em Abril de 2004 foi descoberto um navio português, afundado em 1816, ao largo da da costa norte da Austrália Ocidental. Este navio assegurava a ligação entre Lisboa e Macau, demonstrando aquilo que já se sabia: as costas da austrália eram percorridas por navios portugueses.

Século XX.
No século XX Portugal e a Austrália cruzaram-se na cena política internacional, em dois momentos decisivos:
Primeiro foi durante a IIª. Guerra Mundial (1939-1945) quando os japoneses invadiram Timor. Esta território português desempenhou uma heróica acção contra progressão das tropas japoneses na região.
Depois foi quando os australianos decidiram, em 1975, apoiar a invasão e anexação de Timor pela Indonésia, recebendo em troca concessões na exploração do petróleo nos mares desta antiga colónia portuguesa. A Austrália só reviu a sua posição depois de 1999, quando a comunidade internacional e a própria Indonésia aceitarem o princípio da auto- determinação do povo timorense.

1 comentário:

  1. Gostaria de saber qual a posição dos nossos historiadores acerca desta importante descoberta.!E os políticos,o que têm a dizer?Têm de ser os historiadores de outros países tal como os ingleses e australianos a dar a conhecer a nossa história ao mundo?Tirando honrosas excepções,como no caso deste blog,mais ninguém quer saber?

    Jorge Lima

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