segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

" ponta redonda do farol Giraul, baía de Moçâmedes e rio Bero"



 A  Ponta Redonda do Farol Giraúl, extremo setentrional da baía de Moçâmedes, ou baía do Namibe, também conhecida por Pontal Norte, encontra-se o Farol de sinalização marítima. A uma distância de 7.7 Km separa esta ponta, da foz onde desagua o rio Giraúl a Norte.
 



Ponta Redonda do Giraúl, está à latitude 15º08’82" Sul e longitude 12º 06' 56" Este.

É rasa, pouco saída, muito escura e cortada a pique, com 36 m de fundo de pedra.
Segue dali a beira mar para SE, obra de 800 metros = 0.5 milhas, até à Ponta Redonda.

Desta ponta, declina a beira mar para NE e NNE até ao porto Mineiro, numa extensão de 2.5 Km.

Da ponta Redonda do Giraúl ao porto Mineiro, a beira mar é alta, íngreme, pedrada, negra e pontiaguda.
Porto Mineiro do Saco Giraúl
No porto Mineiro, uma inflexão da beira mar para Sul, diferencia-se da ponta redonda  do Giraúl, por ser baixa, até à foz do rio Béro, numa extensão de 5 Km se abre a baía do Saco do Giraúl formando uma enseada de praia arenosa.
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Baía de Moçâmedes vista da Ponta Redonda do Giraul

Baía de Moçâmedes
A baía de Moçâmedes, actual baía do Namibe em Angola, nome que lhe foi posto em 1785 pelo tenente coronel de engenheiros L. C. C. P. Furtado, quando foi estudar toda essa costa, antiga angra do Negro, na língua local Bissungo Bittoto, enquadra-se entre a ponta Redonda do Girahúlo ou Giraúl, e a ponta Grossa ou do Noronha, distam uma da outra 5,8 Km ou 3.13 milhas náuticas.

Muito perto dessa ponta, na linha que vai dela à fortaleza, se apruma em 36,5m se encontram depois, sucessivamente, 24, 82, 92, 99, 55, 238 e 293 metros.
Nas suas vizinhanças, cresce muito rapidamente o fundo para S4SE, dessa ponta, tanto que se apruma em 261 metros a uma milha dela.

Mais a Sul, nesse mesmo alinhamento, se acham 20 e 14 metros de profundidade perto da costa meridional.
Um pouco para Este, da ponta Redonda se abre o Saco do Giraúl, enseada com praia de areia, e depois se vai arqueando a baía para Sul, formando um recôncavo, todo guarnecido também de praia de areia, até à ponta Negra.

A Ponta Negra, é alta, pedregosa e escura, se levanta a fortaleza de S. Fernando, começada a construir em 1840,  na altura montava 8 peças de artilharia.



Da ponta Negra, a costa vai arenosa de meã altura, encurvando de seguida para formar o Saco do Sul, enseada que termina pela banda do Oeste, na ponta Grossa ou do Noronha.






No recanto do saco do Sul, onde começa a terra de subir, se levanta a chamada Torre do Tombo, morro argiloso, macio e talhado a pique para a banda do mar, onde se lêem os nomes de vários navios, que aportaram a Moçâmedes, também de muitas pessoas, que visitaram aquele sitio.

Segue-se a ponta do Noronha, que é alta, pedregosa, cortada a prumo, amarelada, sita a 2 milhas e três décimos da ponta Grossa; sobre ela, em 15° 13' 30" Sul, torneia uma guarita com seu pau de bandeira.
Passada a ponta do Noronha recurva-se muito a costa, forma uma enseada, que termina da banda do Sul na ponta da Anunciação, ou da Conceição, que é rasa, negra e só a custo se percebe do mar. Fica em 15° 16' Sul.  
A uma milha e seis décimos para ONO. da ponta do Noronha, fica o extremo setentrional do baixo da Amélia, nome que lhe foi posto por ter naufragado ali, em 1842, a escuna de guerra portuguesa Amélia, muito perigoso por quebrar só de vez em quando, apesar de ter pelo geral uns 3 metros de água, em alguns sítios.

É todo de rocha e areão, tem na fralda ocidental 2,2m, 3,5m, 4,5m de água, e 7,9 e 11m na setentrional; perto dele e da banda do Oeste se encontram 22 m e mais, separa-o do continente um canal por onde só devem navegar lanchas.

Por alturas do ano de 1840, a quem afirme ter visto na Praia da Amélia, navios de guerra ingleses passar por entre o baixo e a praia da Amélia, que lhe fica fronteira; julgamo-lo porém muito arriscado, assim por poder acalmar ali o vento e encostarem as águas para cima do baixio, por haver sempre seu rolo de mar.
Dilata-se o baixo da Amélia por entre 15°14' e 15º18' Sul, vai até a umas 3 milhas da costa.
Pode-se navegar por aquelas paragens, enquanto estiver a ponta Negra descoberta da ponta do Noronha, marca larga do extremo setentrional do baixo, e que passa uns oito décimos de milha para Norte dele.
Vindo do Sul em demanda do ancoradouro de Moçâmedes, nota-se a ponta da Anunciação à distancia de 3 milhas e meia, seguindo o Norte., sem se chegar à terra, até se visualizar a ponta Negra; deite-se depois para esta, ou um tanto para Norte dela, a fim de se alcançar os 24 metros de fundo nas vizinhanças da do Noronha, e não por menos, porque pode acalmar o vento á sombra da ponta.

Vindo do Norte, deve-se dar resguardo à ponta do Girahúlo, por encostarem muito para lá as águas e não se poder fundear.

Há quatro ancoradouros na baia de Moçâmedes: o dos navios de guerra e navios em franquia, em 26 metros, no alinhamento das pontas Grossa e do Noronha, a igual distância das duas, a meia milha da terra mais próxima: é bom sitio para velejar, pois se pode sair de bordada.

Diminui muito gradualmente a fundura desde esse surgidouro até a uns dois décimos de milha da terra, onde se encontram embarcações que tencionem demorar-se muito poderão fundear a quarto de milha da praia, um pouco para Norte da Torre do Tombo, em 9 metros.

Acha-se o terceiro ancoradouro, bom para os navios mercantes que têm de carregar ou descarregar, em 16 ou 18 metros, perto da praia onde se levanta a cidade.
Há finalmente o fundeadouro das embarcações de pesca, e outras de pequeno lote, quase no rolo da praia fronteira à cidade.

Rio Béro

Rio Bero - Moçâmedes, Namibe
No recanto Nordeste despeja, em tempo de chuvas, o rio Béro, cujo leito atravessa o sitio das Hortas. Correm com tal velocidade as águas deste rio, em algumas ocasiões de grande cheia, que se levam para cima de 8 milhas por hora.

Do extremo da margem esquerda do rio Béro parte para aguada na posição do Noroeste um baixo de milha de comprido.

Tem o rio boa agua de beber, e sem custo, quando não há calema; será porém necessário ir recebe-la de manhã cedo, antes de calar a viração, porque mais tarde açouta o mar aquelas paragens, é custoso de voltar ao surgidouro: devem as embarcações que se empregarem na faina da aguada, fundear perto da foz do Béro e da banda do NE. da restinga.

Acha-se também óptima água abrindo cacimbas no terreno das hortas.

Nas alturas de Moçâmedes se erguem as banquetas chamadas Mesas dos Cavaleiros ou dos Carpinteiros, parecidas com outras que se prolongam desde o paralelo de 14° 30' para Sul, mas distintas por serem três e iguais. São boas marcas para os navios que estiver amarados.

Sobre a terra alta vizinha da fortaleza, pelo areal da ponta Negra, se avista a cidade de Moçâmedes. No areal fica a maior parte das casas, bem alinhadas, quase todas de um andar só, em ruas espaçosas.
Entre a fortaleza e a Torre do Tombo estão a igreja, um hospital militar, pequeno mas asseado, e outros edifícios.

Rápido tem sido o desenvolvimento da cidade, o que em grande parte se deve atribuir á bondade do clima, muito parecido com os mais sadios da Europa; sente-se ali frio, anuvia-se o tempo e são húmidas as noites, em Julho e Agosto, meses em que a altura media barométrica anda por 760 a 765 milímetros. De vez em quando desaba por ali fortíssima tempestade de areia de Este, trazendo grandes poeiras muito incómodas, produzindo graves doenças.

Nas suas vizinhanças, e especialmente para o lado do NE., se levantavam muitas libatas, quase todos mucubais, cultivando especialmente o milho, possuindo grandes manadas de gado vacum.

Há bom desembarcadouro no areal fronteiro à cidade, ao abrigo da ponta Negra; deve-se porém fugir de uma légua que fica ao lume d'agua e pela parte de dentro d'aquela ponta.

Em Moçâmedes se fabricava anualmente para cima 300 pipas de azeite de peixe, extraído do fígado do cação, exportavam mais de trinta mil molhos de peixe seco muito parecido com o bacalhau.

Separada da parte principal da cidade, no sitio das Hortas, e Refrescos. ao longo das margens do Béro, se estendia uma povoação agrícola, cercada de terreno amanhado onde se produzia muita farinha de mandioca, batata, cará, milho, feijão, ervilha, hortaliça, frutas, como uvas, maçãs, romãs, melões, melancias, etc. Havia também por ali muito gado vacum, que se vendia em conta, muita carne seca e salgada.


( extraído: descrição e roteiro da costa ocidental de África, por Alexandre Magno de Castilho ,primeiro tenente da armada, engenheiro 

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