quarta-feira, 24 de novembro de 2010

" Pedra de Dighton, Colombo Português, descoberta da Austrália por um Português"


Por Manuel Luciano da Silva, Médico

Infelizmente ainda continuam a existir várias dezenas de acontecimentos e personalidades históricas de Portugal que nunca foram pesquisadas nem diagnosticadas -- com a técnica de autópsias -- porque os chamados historiadores universitários preferem manter um estado de controvérsia para poderem usar mais paleio nas suas aulas e assim impressionar os seus alunos, revelando-se que são realmente sabichões!
Estes professores são autênticos renegados da História de Portugal! Vamos encontrar a maior concentração de historiadores renegados nas Universidades Nacionais Portuguesas, porque ganham o mesmo, não investigando NADA!
Há mais de 40 anos nas minhas viagens a Portugal, a primeira coisa que eu fazia era ir às livrarias e procurar livros escritos pelos vários historiadores de Portugal que tratassem dos Descobrimentos Portugueses. E gastei muita “massa” neste projecto!
Em pouco tempo apercebi-me que esses livros foram escritos por historiadores que usaram uma grande variedade de adjectivos diferentes, não apresentando NADA de novo, mas todos eles tiveram o cuidado de emitir as suas “doutas opiniões” renegando os protagonistas ou os feitos históricos.
Estes historiadores renegados não sabem fazer uma REFUTAÇÃO porque não sabem procurar, nem analisar, nem fazer uma autópsia a um documento ou a um monumento. Porquê? Porque estes historiadores renegados não saiem da sua universidade nem da biblioteca em sua casa, para se deslocar, irem aos locais onde se encontram os dados históricos e examiná-los com as técnicas científicas modernas.
Apenas três exemplos:
Vou citar apenas três casos históricos que têm sido e continuam a ser renegados pelos chamados grandes historiadores de Portugal.
(1) As inscrições portuguesas gravadas na Pedra de Dighton pelo navegador Miguel Corte Real em 1511.
(2) A Portugalidade do Navegador Cristóvão Colon, ou Colombo.
(3) A Descoberta da Austrália pelo Navegador Cristóvão de Mendonça em 1522.
Nós, Médicos, ao ensinarmos Medicina apresentamos o doente em frente da classe para os alunos fazerem perguntas ao doente sobre os sinais e sintomas e depois discutimos todos juntos o diagnóstico e o tratamento da doença.
É assim que se deve ensinar. Era assim que os Professores de História deviam também fazer. Apresentar directamente aos alunos a matéria a ser diagnosticada e deixar os alunos refutar ou concordar com o diagnóstico corrente.
Todos os alunos se devem envolver para que a aprendizagem seja muito mais proveitosa. A atitude de “Magister dixit” era usada no tempo da Idade Média. Agora, nos tempos modernos, isso está fora de moda!
Para se fazer o diagnóstico das inscrições gravadas na Pedra de Dighton é preciso usar-se as técnicas da Arqueologia e mais especificamente as técnicas da Epigrafia.
As inscrições gravadas na Pedra é que são a prova irrefutável do diagnóstico. Não é qualquer pergaminho que possa existir em Portugal.
Mas até à data (2010) ainda NÃO veio NENHUM historiador especifico universitário de Portugal examinar no local a face da Pedra de Dighton que agora está protegida dentro dum museu, em Berkley, Massachusetts, E. U. A.
Como é que podem fazer o diagnóstico correcto das inscrições a mais de três mil milhas de distância? Isso é ser um profissional desonesto!

As inscrições da Pedra de Dighton são muito simples. Constam de:

(1) Nome do Capitão, Miguel Corte Real, ao centro
(2) Os Escudos Nacionais Portugueses em forma de “U” e “V”
(3) Quatro Cruzes da Ordem de Cristo com extremidades em 45º.
(4) Data de 1S11 com o algarismo em formato de um S maiúsculo.

Colombo Português

Os historiadores renegados de Portugal ainda andam mais assanhados com este tema do Navegador Cristóvão Colon ou Colombo ser Português. Porquê? Eles aprenderam erradamente que este navegador nasceu em Génova e depois passaram anos a ensinar a mesma asneira.
Muitos destes historiadores renegados escrevem livros e artigos a defender a teoria que ele nasceu em Génova e alguns chegaram até a receber prémios do Governo Italiano e claro que agora não têm “cojones” para admitir que o que têm estado a ensinar aos seus alunos está errado! Nós em medicina mudamos de diagnóstico sem acanhamento nenhum, porque queremos o bem do doente, queremos curar o doente.
Não tomamos uma atitude “daqui não saio, daqui ninguém me tira”, como acontece com os historiadores! Para se fazer o diagnóstico científico da Portugalidade do Navegador Cristóvão Colon, é muito fácil se examinarmos os documentos coevos sem inventarmos fantasias baseadas na cabala ou imagens em espelho! Basta concentrarmo-nos nos seguintes dados:
(1) Duas Bulas Papais de 3 e 4 de Maio de 1493, que existem na Biblioteca do Vaticano, apresentando os seus textos totalmente escritos em latim, mas tendo o nome do Navegador escrito em português antigo ou seja: Cristofõm Colon.
(2) A Sigla do Navegador é muito simples se soubermos os significados da pontuação grega e certos termos próprios em latim e hebraico. Estas interpretações seriam um exercício fora do vulgar para todos os alunos de história.
(3) O Monograma do nome Salvador Fernandes Zarco
(4) A Bênção hebraica para o Filho Legítimo Diogo Colon
(5) O Brasão do Cristóvão Colon com as Quinas de Portugal
(6) Os 40 topónimos portugueses que o Navegador pôs a muitas ilhas das Caraíbas depois das quatro viagens que ele fez.
(7) Já se fizeram as análises do ADN em 477 homens oriundos de Espanha, do sul de França e do Norte de Itália, os quais assinaram os seus nomes testemunhando que eram descendentes directos do Navegador. Os resultados científicos provaram que NENHUM destes 477 IMPOSTORES tinha um cromossoma Y igual ao cromossoma Y do filho Fernando Colon e ao cromossoma Y do irmão Diogo Colon, (irmão do Navegador), os quais foram encontrados nos seus respectivos ossos preservados nos mausoléus na Catedral de Sevilha. Portanto já podemos concluir que baseados nos estudos científicos do ADN o Navegador Cristóvão Colon não podia ter sido italiano, nem francês, nem espanhol !!!
"a página de ouro do major Santos Ferreira"

por Manuel Luciano da Silva, Médico

Já perdi a conta ao número de horas que temos  gasto  eu e minha mulher a  analisarmos  os documentos e os  escritos sobre o navegador Cristóvão Colon, infelizmente mais conhecido por Colombo.
Finalmente encontramos a página número 3 do livro escrito pelo Major Santos Ferreira intitulado “Salvador Gonsalves Zarco (Cristóvão Colon)”  publicado  em Lisboa,  Portugal,  em 1930, um ano antes dele morrer!
A  página referida possui apenas  22 linhas! É uma maravilha de descoberta! É bem certo que as maiores descobertas da humanidade  são sempre as mais simples. Confirmamos este teorema  quando analisamos  as descobertas que  receberam os Prémios  Nobel da Física, da  Química e da Medicina.

O Major Santos Ferreira foi sempre um militar brioso, muito meticuloso.

Casou   com uma Senhora  inglesa ( Maria Stuart Hainsworth)  de quem aprendeu a pontuação anglo-saxónica e cultura inglesa, assim como a pontuação grega, que ele  veio a usar  para  poder fazer o diagnóstico correcto da  Sigla do Navegador.
Santos Ferreira  foi um investigador científico, arqueólogo, heraldista, (analisou 1800 brasões das famílias portuguesas),   polígrafo (escreveu sobre vários  assuntos),  traduziu a Bíblia  envolvendo-se profundamente  nas  culturas  e línguas  latina,  hebraica   e grega  e ainda analisou as bandeiras portuguesas.
Pedro Cardoso, um erudito,  disse dele:  Era um espírito de grande erudição, um intelectual de alto gabarito, que dedicou a  sua atenção à arqueologia, epigrafia, numismática, genealogia e história.  Foi hebraista e  interessou-se particularmente pelo  estudo das várias versões  da Bíblia na língua portuguesa” .
Eu considero o Major Santos Ferreira o maior erudito  conhecedor  da cultura e das línguas  latina,  hebraica e  grega para poder interpretar  correctamente a Sigla do Navegador  Cristóvão Colon.
Aqui está a Página  de Ouro do Major Santos Ferreira. Leia  e releia esta maravilha e medite profundamente.

O Major Santos Ferreira sabia muito bem ler os sinais de pontuação:

[ : ]  Lê-se  COLON
[ ; ]  Lê-se SEMI-COLON ou melhor  COLON
[ . / ]  Lê-se   VÍRGULA significando uma  ALTERNATIVA

Quem não souber ou não  quiser aceitar  esta informação  sobre a pontuação grega,  nunca mais poderá ter a satisfação  de compreender o diagnóstico certo da Sigla.


Aqui está a página de ouro

 O Major Santos Ferreira  nunca usou nenhum truque da cabala nem  de imagens invertidas em espelho! Ele analisou o que está escrito na própria Sigla, como se a Sigla fosse um "electrocardiograma"!   E assim conseguiu o diagnóstico certo!!!
Recomendamos ler agora  o artigo “Os Dez Mandamentos do Cristóvão Colon Português”.
Aqui está a chave para ler na internet  este  artigo completo:



A descoberta da Austrália por um Português!
Exemplo dum Mapa da Colectânea Vallard mostrando a Costa Oriental da Austrália

Não foram os historiadores renegados portugueses que descobriram que o Português Cristóvão de Mendonça, mandado pelo Rei D. Manuel I em 1522, foi à procura da “Ilha do Ouro”, chegando a dar a volta total ao continente australiano, registando toda a sua viagem em mapas coevos, com 120 topónimos portugueses, cujas cópias fazem parte da Colecção Vallard que está preservada na Biblioteca de Huntington em San Marino na Califórnia perto de Los Angeles, Estados Unidos da América.
Já foram escritos quatro livros por autores australianos -- dois em inglês e dois em português -- a afirmar que foi o Cristóvão de Mendonça que descobriu a Austrália 250 anos ANTES do inglês Francis Drake lá ter abordado.

Aqui estão os dados apresentados pelos dois autores australianos:
“The Secrete Discovery of Austrália” = “Descoberta Secreta da Austrália” pelo Advogado Kenneth McIntyre. Tradução da Fundação do Oriente. E o outro livro publicado na Austrália pelo jornalista cientifico Peter Trickett com o titulo de “Beyond Capricorn” – “Para além do Capricórnio” publicado já em Portugal.
Ambos estes livros apresentam dados arqueológicos:
(1) as ruínas dum Forte Português na Austrália;
(2) uma peça de chumbo usada pelos portugueses na pesca;
(3) uma peça de faiança portuguesa;
(4) um canhão português do século XVI e ainda;
(6) 15 mapas mostrando a costa marítima da Austrália com 120 topónimos portugueses.
Todos estes 15 mapas em pergaminho estão preservados numa caixa sem oxigénio na Biblioteca de Huntington, em San Marino na Califórnia, formando a famosa Colectânea de Vallard.
Os Historiadores Renegadores vão perder!

Não temos dúvida absolutamente nenhuma que os historiadores renegados de Portugal vão perder estas três batalhas:
(1) da Pedra de Dighton, (2) do Colombo Português e (3) da descoberta da Austrália por Cristóvão de Mendonça em 1522.
Entretanto é realmente uma pena que esta vitória final tarde a chegar porque quem continua a perder é Portugal!
Não vou mencionar aqui os nomes dos historiadores renegados porque eles não merecem essa consideração. Pela sua teimosia vão morrer e não vão deixar nome nenhum na História de Portugal !
O Almirante Teixeira da Mota, que foi um grande pesquisador da Cartografia Portuguesa, antes de morrer, foi o único que aplaudiu as pesquisas de Kenneth McIntyre concordando com a descoberta da Austrália pelo Português Mendonça.
Devemos lembrar que durante o reinado de D. Manuel I, conhecido como “Rei da Pimenta”, porque pagava mal aos cartógrafos que trabalhavam na Casa da Índia, 62 desses cartógrafos portugueses saíram de Portugal e foram trabalhar para a Espanha, França, Holanda e Inglaterra.
Muitos mapas portugueses que existem hoje no mundo foram feitos por esses cartógrafos que passaram a ser chamados de “Traidores”.
Com a destruição da Casa da Índia pelo Terramoto de 1755, hoje não teríamos a Colecção Vallard que foi feita na Escola Cartográfica de Dieppe, em França, pelos tais cartógrafos “Traidores” portugueses que abandonaram o Rei D. Manuel I.

Felizmente que a Colecção Vallard existe hoje para maior glória da História de Portugal! Com a confirmação da descoberta da Austrália por Cristóvão de Mendonça em 1522, podemos afirmar doravante que os navegadores portugueses descobriram o GLOBO TODO e não apenas dois terços!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

" histórias da ciência "



Produção Centro de Estudos da História das Ciências Naturais e da Saúde (CEHCNS) – Instituto de Investigação Científica Bento da Rocha Cabral (IICBRC) / Culturgest

Com o apoio da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT).

Algumas pessoas querem saber tudo sobre a SIDA, e estão muito enervadas porque a gente ainda não acabou com ela.

Mas, entretanto, há outras pessoas, porventura mais sensatas, ou pelo menos mais sensíveis ao verdadeiro pulso do mundo, que já entraram na fase de fazer comícios contra as verbas e as energias gastas à volta do nosso flagelo moderno, perguntando por que é que já agora não se fazem os mesmos esforços com a malária, que mata muito mais gente.

No fim dos anos 70 estavam referenciados 120 milhões de casos. E a tendência, depois disso e até hoje mesmo, tem sido tudo menos regressiva. Claro, a malária grassa numa zona do Globo de que ninguém quer saber. E uma doença que não atinge os países ricos, mas sim os países pobres.

E não é nova, não é espectacular, por isso não tem grandes probabilidades de levar quem a estude e combata direitinho aos louros do Nobel. Ainda por cima, ao contrario da SIDA, não tem aquelas tórridas cotações pecaminosas que tornam tudo mais apetitoso.

À semelhança da SIDA, a malária pode contrair-se por uso de seringas infectadas que contenham sangue, ou por transfusões de sangue de dadores contaminados. Mas, depois destas duas, já não há mais pontes.

Longe da fumarada picante nos bares homossexuais da imaginação colectiva, o transmissor da malária é um mosquito, a fêmea, do género Anopheles.

E, quanto à novidade, estamos conversados: Hipocrates já tinha descrito a malária na sua catalogação dos vários tipos de febre, cinco séculos antes de Cristo, tornando-a uma das mais antigas infecções
conhecidas.

A sua entrada na América deve ter sido forçada pelas naus de Colombo, com os primeiros surtos epidémicos no Novo Mundo registados a partir de 1493. Olhem, foi troca por troca. A gente levou para lá a malária e em troca trouxe a síflis. Os moinhos de Deus moem devagar, mas moem finíssimo.

Depois de concluídas as Descobertas e contaminado o mundo inteiro, descobriu-se que a casca de uma árvore se mostrava muito activa contra a febre epidémica. No século XVII já se sabia purificar o quinino a partir dessa casca. Dois séculos mais tarde identificou-se o mosquito devastador.

Mas. Mesmo hoje. Mesmo com tudo compreendido. Mesmo com o quinino. Mesmo com a anemia fauciforme, uma doença que afecta algumas populações africanas das zonas com mais mosquitos, e faz os glóbulos vermelhos do sangue tornarem-se rididos e adquirem o aspecto característico de foice que deu o nome ao sintoma, e deixa os atingidos mais fracos mas simultaneamente mais resistentes à malária.

Mesmo com todas as defesas, espontâneas ou construídas, que o nosso novo milénio nos oferece, a febre antiquíssima está aí para lavar e durar. E, em muitos casos, para matar.

Na base da dificuldade de erradicação está o extraordinário sucesso adaptativo do organismo minúsculo, unicelular, que causa os estragos, e que montou um ciclo de vida com reprodução alternadamente sexuada e assexuada que lhe permite fazer face a quase tudo.


E um protozoário chamado plasmódio, que, no início da viagem fantástica, se encontra à espera de vez nas glândulas salivares da fêmea do mosquito.

Desce à noite sobre as planícies de África, e as fêmeas partem, aos milhares, para a caçada da noite. Sangue.

Ao morder o homem que se encontrava parado a beira da lagoa, a fêmea atravessou-lhe a pele com o seu aguilhão e injectou-lhe no fluxo sanguíneo um pouco de saliva, para que o precioso alimento, quente e nutritivo, não coagule enquanto ela o chupa. O homem nem deu por nada.

Mas a gota de saliva já seguiu o seu caminho pela circulação, e dentro dela vão os plasmódios, células cumpridas e irrequietas que só esperavam por isto. No sangue viajarão até atingirem o fígado, que é grande e bom, e lhes oferece o acolhimento ideal.

Aqui, ou no baço, podem ficar em repouso mais de 20 anos. Ou entrar logo em acção. Cada plasmódio infecta uma célula, e aqui dentro, alimentando-se dela, desata a copiar-se freneticamente a si próprio, numa reprodução que dispensa recombinação genética e se limita a replicar, uma vez e mais outra, o seu ADN muito simples.

Finalmente, sem dó nem piedade, o parasita multiplicado faz rebentar a sua hospedeira, e salta cá para fora às centenas.

Algumas das cópias vão parasitar novas células ali mesmo ao lado, para mais e mais se recopiarem.

Outras retomam a boleia do sangue, e vão fazer nos glóbulos vermelhos o que já tenham feito no fígado.

O cenário é agora outro, mas o enredo repete-se: alimentando-se dos nutrientes que não lhes eram destinados, os parasitas copiam-se e recopiam-se dentro das pobres células, fazem-nas rebentar, saem às centenas, parasitam novos glóbulos, e assim por diante numa escalada infernal.

O homem que foi mordido pela fêmea do mosquito não percebe o que se passa consigo, mas no seu sangue há milhões de células que morrem ao mesmo tempo, enquanto milhões de novos parasitas, pululando por divisão assexuada, lhes infestam a circulação.

Ele sente febre, arrepios, dores, uma prostração tremenda.

Lá dentro, os plasmódios antevêem a sua morte e preparam-se para sair depressa dali, como ratos abandonando o porão de um navio em apuros, porque sabem que de outra forma morrerão também.

Até agora, tudo era muito fácil, e a simples cópia bastava. Mas, para a longa jornada até às glândulas salivares de um novo mosquito, onde se encontrem em condições de ir infectar um novo hospedeiro, os perigos que espreitam os plasmódios são muitos e imprevisíveis.

Uma boa rodada de reprodução sexuada, com recombinação de genes e maiores possibilidades de diversificação, para fazer face às adversidades, parece agora mais conveniente. Vamos a isso, dizem os protozoários.

E eis que alguns de entre eles tomam configurações especiais, deformando o glóbulo vermelho sem no entanto o romperem. Vem outro mosquito, e de novo pica o pobre homem.

Chupa aquele sangue, com aquelas células.

Na viagem do estômago para o intestino, o glóbulo rebenta, e os plasmódios modificados que saem de lá de dentro revelam ser... duas espécies diferentes de células sexuais, umas grandes como os óvulos, outras ondulantes e finas como os espermatozóides!


No segredo do intestino estes dois tipos de células fundem-se, e recriam plasmódios inteiramente novos, agressivos e determinados como os progenitores antes deles.

São estes jovens que, por seu turno, infectam as células do intestino do mosquito, desatando a copiar-se como se não soubessem fazer mais nada na vida, rebentando por fim com as células que os acolheram e saindo cá para fora as centenas, até já serem em número suficiente para se irem armazenar nas glândulas salivares, esperando a nova picada, e a viagem para dentro de outro homem que esteja ao fim da tarde à beira de uma lagoa.

Em certas regiões de África e da Ásia, há hoje populações que se consideram potencialmente afectados por inteiro.

Último retoque: não é uma especial malevolência feminina o que tão definitivamente separa a culpabilidade entre os dois sexos do mosquito.

É que só as fêmeas do género se alimentam de sangue. Os machos, esses preferem dietas vegetarianas.

Dimorfismo trófico, chama-se esta diferença sexual de regimes alimentares. Entre os insectos, e muito frequente.

Gostaram? Durmam bem. E não se esqueçam de meter a “Resoquina” na mala.



"Clara Pinto Correia"