sábado, 29 de maio de 2010

" padrão de S. Jorge, ponta Padrão foz rio Zaire ou Congo"

Desconhece-se o símbolo da Bandeira Portuguesa e o teor das inscrições gravadas no original do Padrão de S. Jorge, devido à sua destruição pelos holandeses em 1642, aquando da ocupação do estuário do rio Zaire e região do baixo Soyo.
Apresenta-se a foto do escudo em vigor, 1483, do Padrão de Stº Agostinho, por se considerar, tanto na sua forma e conteúdo, a semelhança entre este padrão e aquele que foi destruído.
 península extrema da margem Sul e esquerda da foz do rio Zaire, Ponta do Padrão


península extrema da margem esquerda da foz do rio Zaire, Ponta do Padrão

Acresce ainda o facto da guarnição de Diogo Cam [Caão] ter escolhido para brasão de armas os dois padrões que ergueu, nessa 1ª viagem de exploração marítima
O navegador na 1ª viagem de exploração à costa ocidental africana [1482 – 1484] levava a bordo dois (2) padrões de pedra calcária, que foram assentes, respectivamente:
- O Padrão de S. Jorge, na extremidade meridional [ margem Sul], Moita Seca, foz do rio Zaire, à lat. 6º 04’ Sul e long. 12º 19’ Este
- O Padrão de Stº Agostinho, no cabo de Stª Maria , a Sul de Benguela – Angola, à lat. 13º 25’ Sul e long. 12º 32’ Este

Destruição do padrão tradicional conhecido de S. Jorge 

Segundo Edgar Prestage – descobrimentos portugueses – pág. 197, o Padrão tradicionalmente conhecido de S. Jorge, foi em 1642 destruído pelos holandeses quando invadiram a cidade do Soyo.
Nesse período de 1642, o padrão original tradicionalmente chamado de S. Jorge, assente pela guarnição do navegador Diogo Cam [Caão] a 26 de Abril de 1483, na Ponta do Padrão, Moita Seca, na extremidade da margem meridional (esquerda) do rio Zaire, após 160 anos de permanência foi destruído.
original do padrão de São Jorge. destruído, segundo Edgar Prestage pelos Holandeses em 1644, restaurado em 1648, permaneceu até um dia de 1852, onde foi novamente destruído pelos ingleses.

1ª réplica do Padrão de S. Jorge

Em 1648, Angola voltou à soberania Portuguesa, depois dos holandeses terem sido expulsos por Salvador Correia de Sá e Benevides, vindo do Brasil. Foi restaurado um outro Padrão,  1ª réplica, [ ver gravura abaixo], assente no mesmo local onde se encontrava o original do Padrão de S. Jorge.
De notar:
- A 1ª réplica do padrão, a Flor-de- Lis foi suprimida.
-Os escudetes laterais em vez virados ao centro, ficaram virados para baixo, o que não corresponde ao original do Padrão de S. Jorge.

1ª réplica do Padrão de S. Jorge, assente no ano de 1648 na Ponta do Padrão Publicado em: " Mundo que os Portugueses criaram" de Armando de Aguiar - pág. 618, e extraída da colecção de gravuras portuguesas - Angola - 10ª série, de notar os escudetes estão todos virados para baixo,  o símbolo da bandeira  não corresponde ao original do padrão de S. Jorge

Destruição da 1ª Réplica do Padrão de S. Jorge

Passados 212 anos,” um dia do ano de 1855 , um navio de guerra inglês a vapor, que se esquecera de aparecer trezentos anos mais cedo para descobrir também qualquer coisa, assinalou a sua passagem, gloriosamente, despedaçando a tiros de artilharia [a réplica] do Padrão de S. Jorge. Em compensação, os íncolas arrecadaram como relíquias os fragmentos do Padrão. Mas esses... não eram civilizados”. Henrique Galvão em "Outras Terras, Outras Gentes":

fragmento do pé do  do Padrão original de S. Jorge ~Sociedade de Geografia Lisboa

Segundo os habitantes da região do Soyo, em 1852 a guarnição dum navio de guerra britânico fez do padrão alvo de exercícios da artilharia destroçando o monumento. A guarnição pretendeu recolher a bordo a parte cimeira do Padrão.
Ficaram o pé e uns restos do fuste da 1ª réplica do Padrão de S. Jorge, que os naturais ciosamente guardaram, venerando-os como poderoso feitiço, um feitiço de branco, até que vieram para Portugal e entregues à guarda da Sociedade de Geografia de Lisboa.
“Um escaler da marinha inglesa, tentou recuperar a parte superior do padrão, onde se encontravam as inscrições e a cruz original. Ao dirigir-se para o navio maior, voltou-se e a parte superior padrão perdeu-se nas águas do rio”!.
O escritor que relata tais memórias, extraídas de um relatório arquivado na Sociedade de Geografia de Lisboa, comentou: «Se o escaler não se volta, teríamos naturalmente hoje, no British Museum, a parte superior do padrão, onde poderia ler-se, talvez, a inscrição respectiva» (Luciano Cordeiro, Diogo Cão, pág. 50).

2ª Réplica do Padrão de S. Jorge

No dia 13 de Setembro de 1859, o governo de Angola mandou por um navio de guerra colocar outro padrão, 2ª réplica, no mesmo local,   comemorativo do “Padrão de S. Jorge”, que cinco anos depois, 1864, desapareceu, destruído segundo a tradição por uma grande cheia ou maré.

3ª Réplica do Padrão de S. Jorge

Em 1892, o governador  de Angola mandou erigir novo padrão, 3ª réplica, comemorativo primitivo, que permaneceu até 1932, na Ponta do Padrão, num local mais afastado da margem das águas do rio. 
Foram então procurados os fragmentos e obtidos que os habitantes da península conservaram em número de dois levados para o museu da Sociedade de Geografia em Lisboa.

4ª Réplica do Padrão de S. Jorge
4ª réplica do Padrão de S. Jorge 

 -A For-de-Lis, foi reposta como era suposto no original do Padrão de S. Jorge.
-Os escudetes laterais estão virados ao centro, como correspondia ao original do Padrão de S. Jorge
4ª Réplica do Padrão S. Jorge, na foz do rio Zaire – Ponta do Padrão –, assente no ano de 1938 Lat. 6º 04 Sul e long .12º 19’ Este, foto  da década 1970, ao fundo a cidade de Stº António do Zaire. Actualmente o padrão encontra-se lado aposto da península, ou seja na contra costa   

Por ocasião da primeira viagem presidencial a São Tomé e Príncipe e Angola, foi levantado na foz do rio Zaire, um outro padrão 4ª réplica, cópia do padrão de S. Jorge de 1483, que ali havia sido colocado pela guarnição do navegador Diogo Cam

Em 30 de Julho de 1938, o então Chefe do Estado, Óscar Carmona, no areal escaldante na foz do rio Zaire, na ponta do padrão, moita seca, na presença da marinha de guerra ao som de tambores e clarins na qual presta guarda de honra e na presença de muitas autoridades gentílicas, sobas das regiões nortenhas, duma grande multidão compacta, depôs uma coroa de flores em bronze, transportada pelos marinheiros vindos dos barcos de guerra, fundeados ao largo, declarando de seguida:

“ Em mil quatrocentos e oitenta e três, Diogo Cam e os seus companheiros desceram neste recanto de terra e cravaram (implantaram) aqui o padrão do descobrimento e posse com as armas de Portugal e a cruz de Cristo para que fosse ao mesmo tempo campo de expansão do espírito português e da religião cristã. Desde essa hora ficou Angola incorporada no Império. Com a certeza de que fala pela minha voz, Portugal inteiro, o passado e o presente, os vivos e os mortos, evoco todos os obreiros da grandeza da pátria, marinheiros, militares e missionários, fazendeiros e mercadores e, perante Deus e os homens, declaro que Portugal seguirá nos caminhos imortais da sua vocação apostólica de povo civilizador; proclamo neste lugar sagrado da Pátria a unidade indestrutível e eterna de Portugal de Aquém e Além-mar”.
A 4ª réplica do padrão S. Jorge,  ponta do Padrão - Soyo - foz do rio Zaire foi retirada do local onde inicialmente se encontravacada e foi levada para a contra - costa, lado oposto da península extrema da margem e foz do rio Zaire, a fig 9 deste texto é testemunha disso.

Nos olhos de todos os presentes marejavam lágrimas sentidas pela grandiosidade do solene momento de evocação e homenagem aos nossos gloriosos antepassados, pelo seu esforço e abnegação. Os vasos de guerra salvaram tiros de canhão enquanto a gente gritava VIVA PORTUGAL.
Foi a maior homenagem feita aos pioneiros das descobertas e das conquistas em que os heróis portugueses de antanho deram «Mundos Novos ao Mundo», espalhando a fé e a civilização inscrevendo na história da humanidade o nome glorioso de Portugal.
4ª réplica do padrão S. Jorge,  Ponta do Padrão - Soyo - foz do rio Zaire

A 26 de Abril de 1973, foi realizada a 2ª missa na ponta do padrão, 490 anos depois da chegada dos portugueses, estiveram presentes as autoridades locais do distrito do Zaire – Angola, nomeadamente os descendentes do Rei do Congo, sobas e regedores de vários concelhos do distrito, bem como representantes da marinha portuguesa, autoridades administrativas e o então governador do distrito do Zaire coronel Carlos dos Santos

2 comentários:

  1. Dói. Muito. Que foi feito dos vossos genes, portugueses de outrora? Lutei ainda, nos sonhos ignorantes da juventude, por uma pátria apenas imaginada.

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  2. Fomos Herois da Europa e do Mundo! hoje não somos nada porque não temos verdadeiros Comandantes!

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