sexta-feira, 28 de maio de 2010

" padrão do Cabo da Serra/Cruz, Cape Cross "



padrão do cabo da Serra/Cruz - no museu “Institut fur Deutsche Geschichte”, Berlim , Alemanha.
erguido em Fev/Mar de 1486, pela  guarnição de Diogo Cão, no cabo da Serra/Cruz,  Cape Cross, Namíbia, latitude 21º46' Sul e longitude 13º 57' Este
O padrão do cabo da Serra/Cruz, Cape Cross, Namíbia, é constituído por uma peça do calcário vulgar das pedreiras dos arredores de Lisboa, com a forma de uma coluna sobrepujada dum cubo



Em vigor a partir de Março de 1485

D. João II retira das armas reais os remates flores-de-lis (pontas da cruz verde florestada da Ordem de Avis).
-Fundo branco.
-Cinco quinas azuis dispostas em cruz (as laterais apontam para baixo, como as do centro).
-As quinas possuem cinco besantes brancos (dois pontos – um ponto – dois pontos) -Bordadura vermelha.
-Sete castelos dourados na bordadura (por vezes oito castelos).
Numa das faces do cubo encontra-se o escudo nacional português, mas com as modificações nele introduzidas por D. João II – supressão da Cruz de Avis, redução do número de castelos a sete, modificação da posição dos escudetes laterais, que deixam de ser apontados ao centro, para o serem a baixo como os três restantes.
Há duas inscrições: Uma em latim, outra em português.
Foram lidas pelo Prof. Scheppig que comunicou o seu teor a Luciano Cordeiro.
Este publicou-as na sua monografia.


O texto latino é o seguinte:

A mundi creatione fluxerunt ani 6684 et a Christi nativitate 1485 quum excelentissimus serenissimusque Rex d. Johanes secundus portugaliae per iacobum canum ejes militem colunam hic situari jussit
O Texto português é o seguinte:
Era da criação do mundo de bjm bjc lxxxb e de xpto de IIIclxxxb o eycelente esclarecido Rei dom Jº s.º de Portugal mandou descobrir esta terra e poer este padram por dº cão cavº de sua casa.
Correntemente:
Era da criação do mundo de 6685 e de Cristo 1485 o excelente esclarecido Rei D. João II de Portugal mandou descobrir esta terra e pôr este padrão por Diogo Cão cavaleiro de sua casa”.
Da inscrição em latim, o Professor Scheppig teve dúvidas, quanto ao último algarismo do ano da era cristã, em virtude de estar muito mal conservado, podendo ser 4 ou 5
Luciano cordeiro entendeu que “ esse algarismo embora parecido aos que têm evidentemente o valor de 4…, deve considerar-se como uma das variantes que até ao séc. XV se encontram na maneira de escrever o algarismo 5 “. E estabelecendo a relação entre datas da criação do mundo e do N. de Cristo achou: 6 684 – 5 199 = 1485
Partindo deste cálculo considerou errada a data 6 685, da era da criação, que se encontra na inscrição em português.
Ravenstein, estudando novamente este assunto “ The voyages of Diogo Cão and Bartolomeu Dias, no Geographical Journal de Dezembro de 1899 (Vol. XVI, pág. 625-665”, considera errada a data da inscrição latina, 6684, estabelecendo as datas 6685 e 1485 da inscrição em Português – as quais de facto, coincidem desde 1 de Setembro a 31 de Dezembro – e conclui que só dentro deste lapso de tempo teria Diogo Cão partido: “ Como a ano 6685 da era Eusebiana começa a 1 de Setembro de 1485, Cão deve ter partido depois deste dia e antes do fim do ano”…


réplica do padrão do cabo da Serra/Cruz, "Cape Cross" , Namíbia
Análise da inscrição latina e portuguesa do Padrão do Cabo do Padrão:
“O ano de 6684, pelo cômputo da era Eusebiana começou no dia 1 de Setembro de 1484 e terminou em 31 de Agosto de 1485.
Ao analisar-se as inscrições em latim como em português no padrão, elas correspondem ao que o Prof. Scheppig comunicou a Luciano Cordeiro, isto é, na inscrição latina a criação do mundo é o ano de 6684, e a era cristã o ano é 1485.
Na inscrição portuguesa a criação do mundo é o ano de 6685, e a era cristã o ano de 1485.
Porque razão o ano da criação do mundo, tanto da inscrição latina como da inscrição portuguesa não coincidem?!...
De facto a inscrição latina foi efectuada ou gravada antes do dia 31 de Agosto de 1485 ou mesmo nesse dia, o que coincide com o ano de 6684 da criação do mundo.
Na inscrição portuguesa, o ano da criação do mundo é 6685, pelo motivo desta inscrição ter sido gravada após o dia 01 de Setembro de 1485, ou mesmo nesse dia.
Embora, o ano da criação do mundo, não sejam coincidentes, tanto numa como noutra inscrição, o que é certo é que, o ano da era cristã da inscrição latina 1485, é mesmo o ano de 1485, o que valida igualmente o ano da era cristã da inscrição portuguesa, que se encontra bem legível 1485”.
Dá-se assim crédito ao ano de 1485, por motivo de D. João II ter decretado a modificação do escudo, a partir de Março.
Assim sendo, a 2ª viagem de exploração marítima da guarnição de Diogo Cão, teve início após o dia 1 de Setembro de 1485 e antes do fim do ano (conclusão de Ravenstein), que se aceita como correcta.
Os nautas, ainda percorreram mais 50Km de costa para Sul do cabo do padrão da Serra/Cruz, até à ponta dos Farilhões, Hentiestbaai de hoje e foi aí que a expedição terminou!


Cape Cross, Cabo da Serra/Cruz, Namíbia
O termo exacto da viagem, deve-se a uma legenda de um mapa de 1489 de Henricus Martellus Germanus, cujo texto legenda, sugere que Diogo Cão aí terá morrido. Se assim aconteceu, poderá ter sido essa a razão porque os navios não avançaram mais para sul?
Em 1884 a Namíbia foi proclamada por Bismarck, protectorado da Alemanha, após o fim da 1ª guerra (1914-1918), passou a ser um protectorado da África do Sul.
No tempo da Alemanha de Bismarck, em 1893, Beder, comandante do cruzador alemão Falte, recolheu num cabo que algumas cartas antigas chamam Cabo do Padrão, e modernamente tem o nome de Cape Cross, um padrão que levou para a Alemanha.
Encontra-se no museu do Institut fur Deutsche Geschichte, Berlim-Leste, sendo o único de todos os Padrões de Diogo Cão que conserva a cruz como cimeira original.
A cruz de pedra que o descobridor português colocou na actual (Costa do Esqueleto) em Fev./Mar de1486, foi assim no final do século XIX (1893) retirada para Berlim, pela então potência colonial, a Alemanha, e mais tarde substituída por uma imitação réplica.
Em 1998, o governo da Namíbia (Sudoeste Africano), pediu às autoridades alemãs a devolução do padrão erigido há 512 anos, no litoral daquele país africano por Diogo Cão, para poder exibi-lo na Expo-98, em Lisboa, o que nunca chegou a concretizar-se.
Em plena Costa dos Esqueletos, no local que hoje a cartografia refere como Cape Cross, surge uma réplica do padrão, cujo original  foi deixado em 1486 pela guarnição de Diogo Cão, o primeiro navegador europeu a chegar à Namíbia e atingir as proximidades do Trópico de Capricórnio, 23º e 27’ latitude Sul.


réplica do padrão do cabo da Serra/Cruz, Cape Cross, Namíbia


pedra em mármore comemorativa dos 500 anos da chegada da guarnição de Diogo Cão a Cape Cross, (1986) escrita em Português, Alemão e Inglês, – junto à réplica do padrão.

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