terça-feira, 6 de abril de 2010

"pôr do Sol, Angola"








 Sazaire, Soyo
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Barra do Quanza



 Cape Cross

 Moçâmedes, Namibe

 Ambriz


 Ambriz



 Ponta do Padrão, rio Zaire



Namibe







 Lobito
 
Cabinda
 Lubango
 Cabinda
 Moçâmedes

Mussulo

 Tômbua
 deserto do Namibe


Leba
 
  Mussulo
Quissama
 baía das Pipas
 Cacolo
Moçâmedes
 
 
ilha do Mussulo
 
 
Benguela
 ilha de Luanda - chicala 
marginal Luanda
soyo, sazaire











Huíla, Lubango
Lubango


 Matala
barra do rio Quanza
 ilha de Luanda
  Ilha do Mussulo

Lubango


POENTE ANGOLANO

".....estava fascinado pelo espectáculo soberbo do poente, que se oferecia em fantasmagórica fantasia. Nuvens negras, de recorte nítido, corriam longe, no último plano do horizonte, sobre uma cortina escarlate: o Sol ora se escondia completamente por trás de uma nuvem, ora espreitava, flamejante, no intervalo delas; o mar era como a pele de certas serpentes, cujas escamas brilham como gemas preciosas, reflectindo todas as cores e produzindo todos os matizes.

Desde o horizonte distante uma esteira refulgente, irisada, sempre em movimento, alongava-se e vinha morrer na praia; e no céu, à medida que o Sol descia, iam surgindo camadas sobrepostas de pequenas nuvens ténues, encadeadas umas nas outras como escamas, e que de momento a momento mudavam de colorido.

O escarlate ardente de há pouco transmudara-se num vermelho velho, que pouco a pouco ia ganhando tonalidades roxas e violáceas. Cada nova coloração descobria novos planos de nuvens irisadas, e cada um destes planos tinha uma cor diferente.

Em cima, batidas ainda em cheio pelos raios solares, havia um manto de fogo vivo, depois escamas dispersas de vivo carmim, e mais abaixo duas camadas distintas, uma de roxo-vivo, outra de um violeta já acinzentado.
No plano do fundo, as nuvens que corriam impelidas pelo vento sul eram inalteravelmente negras, mas os seus rebordos tinham uma franja colorida, que acompanhava as tonalidades
dominantes.

E a esteira prateada que vinha por sobre a água morrer na praia ia também passando do brilho metálico da prata às ardências de lava vulcânica, duma torrente de fogo, até morrer nos roxos do poente, e extinguir-se definitivamente quando o Sol, por fim, como uma enorme rodela de metal incandescente, mergulhou nos abismos líquidos da distância.

Quando o Sol finalmente se escondeu, as nuvens mais altas guardaram ainda por alguns minutos o reflexo dos seus raios; mas o Oriente a noite estendia com rapidez o seu manto negro, e dentro de pouco tempo as árvores e as casas perdiam os seus contornos no lusco-fusco, e a grande paz que antecede a noite emudecia os pássaros e emprestava uma voz estranha aos lamentos profundos do mar....." ( de Sangue Cuanhama ).

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