terça-feira, 27 de abril de 2010

" calendário a sua história"


Fonte: Enciclopédia Meridiano Fisher, “Astronomia”, de Karl Stumpff – tomo 1 – 1ª edição : Abril de 1965

O cálculo do tempo baseia-se em certas unidades de tempo que desempenham papel importante na vida do homem.

Recorrendo a essas unidades, subdivide-se o decorrer do tempo em determinadas partes; É através da numeração destas que se pode medir a duração de períodos mais longos de tempo.

Tais unidades de tempo naturais são o dia, o mês e o ano.

Inicialmente, o dia era o espaço de tempo, compreendido entre dois nascimentos (ou ocasos ) sucessivos do Sol, pelo que era medida de grande irregularidade.

Nem mesmo o intervalo compreendido entre duas culminações superiores do Sol (isto é, de meio dia ao meio-dia imediato), o «dia solar verdadeiro», é uniformemente longo, razão por que hoje se usa em sua substituição o «dia solar médio», cuja duração é constante e que corresponde à duração média do dia solar verdadeiro.

A forma mais simples do cálculo do tempo baseia-se na numeração progressiva dos dias. G.G. Scaligero (1540 – 1609) propôs em 1581 numerar progressivamente os dias a partir de uma data pré-histórica ( o dia 1 de Janeiro de 4713 a. C., que teria o número de ordem zero).

Esta «data juliana» (J.D. = julianus dies) foi crismada por Scaligero em honra de seu pai Júlio Scaligero: permitiria ela, um fácil cálculo dos intervalos de tempo, enquanto no sistema das datas actuais (dia, mês, ano) é absolutamente necessário ter em consideração o desigual comprimento dos anos e dos meses.

Com base no Julianus dies também é fácil obter o dia da semana: divide-se o número por 7; se o resto é zero, é segunda feira, se é 1, é terça feira, etc.

Por exemplo o dia 1 de Janeiro de 1963 tem a data juliana de 2 438 031: trata-se de uma segunda feira, dado que o resto da divisão é 1.

Segundo o que se estabeleceu em época recente, os dias julianos começam sempre ao meio dia médio do meridiano zero ( 12 h tempo universal --- órbita da Lua); corresponde ao espaço de tempo em que se verifica o alternar-se das várias fases lunares.

O mês sinódico tinha principalmente grande importância entre povos nómadas da Ásia Menor (que guardavam os seus rebanhos durante a noite); ainda hoje este mês de 29,53 dias constitui a base tradicional do calendário dos Hebreus e dos Muçulmanos.

Por sua vez, para os agricultores egípcios, já na antiguidade, era o ano a mais importante das grandes unidades de tempo.

As tentativas para estabelecer uma relação entre ano e mês que pudesse ser utilizada para o cálculo do tempo conduziram na Antiguidade a diversas formas de calendário.

O calendário muçulmano baseia-se ainda hoje no ano lunar de 12 meses sinódicos ( 354 ou 355 dias): o início de cada ano vai sendo sucessivamente 11-12 dias mais cedo e no fim de 32-33 anos percorreu em sentido inverso todas as estações.

O calendário judaico, como de resto também os calendários grego antigo e romano, considerava por sua vez um «ano lunissolar»; o seu comprimento era conciliado com o alternar das estações mediante a introdução periódica de um décimo terceiro mês.


Dado que 235 meses sinódicos completam quase exactamente 19 anos trópicos, ao passo que 19 anos lunares compreendem somente 228 sinódicos, no cálculo do tempo lunissolar devem ser inseridos 7 meses intercalados num ciclo de 19 anos.

Um sistema deste tipo foi introduzido à volta de 440 a.C. pelo grego Meton, que todavia deve ter copiado a ideia dos Babilónicos.

O ciclo de Meton tem, portanto, 12 anos de 12 meses e 7 anos bissextos de 13 meses sinódicos.

O início dos meses, que duravam alternadamente 29 e 30 dias, foi fixado através da observação: o aparecimento da estreitíssima foice da «lua nova» no céu nocturno anunciava o início do mês.

REFORMAS DO CALENDÁRO

Os Romanos herdaram dos Gregos o ano lunissolar, mas, dado que estes utilizavam de maneira muito arbitrária as regras que regulavam a introdução dos meses intercalados, o calendário romano encontrava-se em condições desastrosas no tempo de César.

Por sugestão do sábio grego Sosigenes (século I a.C.), Júlio César (100-44 a.C), realizou no ano 46 a.C. a reforma do calendário que dele recebe o nome de juniana; baseia-se ela no comprimento do ano, determinado mediante observações astronómicas pelos Egípcios, que é de 365 dias e 1/4 .

Por outro lado, o ano egípcio tinha 365 dias, é por esta razão que, após 1460 anos (período sotíaco), o início do ano, depois de percorrer ao contrário todas as estações, vinha a estar de acordo com a natureza.

Júlio César teve em consideração o excesso de 1/4 de dia e a cada três anos normais de 365 dias fez seguir um bissexto de 366 dias.

Os anos foram divididos em doze meses, cujo comprimento médio era pouco superior ao de um mês sinódico; perdeu-se assim a íntima relação do calendário com o ciclo da Lua.

O início do ano (no princípio era em 1 de Março). Foi fixado no dia 1 de Janeiro, data em que os cônsules assumiam normalmente o seu cargo. Remontam igualmente à época romana os nomes e as durações actuais dos meses.

Os meses de Julho (Julius) e Agosto (Augustus), inicialmente denominados por (Quintilis) e (Sextilis), dado que eram o quinto e o sexto mês do antigo calendário, receberam os seus nomes em honra de Júlio César e do seu sucessor Augusto.

O ano juliano de 365,25 dias é ligeiramente mais longo do que o ano trópico (365,24220 dias). No decurso dos séculos, o início da Primavera deslocou-se pouco a pouco até provocar antecipação sensível.

Este erro tinha já atingido 10 dias no século XVI.

Em 1582, o papa Gregório XIII, de acordo com os mais importantes astrónomos do seu tempo, realizou nova reforma do calendário; esta impôs-se imediatamente nos países católicos, mas só com atrasos em parte consideráveis nos países protestantes: por exemplo,

Em Inglaterra só foi introduzido em 1752 e na Suécia em 1844.

A reforma gregoriana do calendário continha as seguintes prescrições:

1. Ao trazer o início da Primavera para 21 de Março, que a errónea duração do ano no calendário antigo tinha feito antecipar para 11 de Março, fez-se seguir imediatamente: a 4 de Outubro de 1532 o dia 15 de Outubro;

2. Todos os anos cujo número de ordem é divisível por 100, mas não por 400 (portanto os anos de 1700, 800, 1900, 2100, etc.), não deviam no futuro ser anos bissextos.

Assim, o comprimento médio do ano foi reduzido para 365,2425 dias.


A diferença existente entre este ano gregoriano e o ano trópico é tão pequena que só chega a cerca de um dia por cada período de 3300 anos.

Propostas recentes para nova reforma do calendário não dizem tanto respeito às regras a seguir para determinar os anos bissextos como por sua vez à oportunidade de eliminar certas desvantagens do calendário gregoriano, como, por exemplo, o comprimento irregular dos meses e a mobilidade da festa pascal, com todas as festas cristãs que com ela estão relacionadas.

Propôs-se assim fixar em 31 dias o comprimento do primeiro mês de cada trimestre (Janeiro, Abril, Julho e Outubro) e em 30 dias o dos outros meses; além disso, adicionar um dia 31 de Junho nos anos comuns e introduzir também nos anos bissextos um dia 31 de Dezembro, sem designação do dia da semana.

O primeiro dia de cada trimestre deveria ser domingo e a cada data corresponderia um dia da semana fixado uma vez para sempre.

A Páscoa coincidiria todos os anos com o domingo 8 de Abril, data que está no meio do intervalo que compreende as possíveis datas pascais segundo o actual calendário ( do dia 22 de Março até ao dia 25 de Abril).

Uma das grandes desvantagens desta e de outras semelhantes propostas de reforma do calendário está na destruição da semana, o que significa a interrupção de tradição milenária.

ERAS CRONOLÓGICAS

A numeração dos anos a partir do nascimento de Cristo foi proposta em 525 pelo abade Dionísio, O Pequeno.

Desde então ela impôs-se pouco a pouco no Ocidente cristão. O momento inicial deste cálculo do tempo, isto é, da chamada «era cristã», é talvez posterior quatro a sete anos à data do nascimento do Redentor.

Paralelamente a este sistema de numeração dos anos, existiram no decurso dos séculos, e existem ainda hoje, numerosos outros sistemas (eras).

Ptolomeu, no seu Almajesto ( ----teoria dos epiciclos), utiliza uma era que começa com a ascensão ao trono do rei de Babilónia Nabonassar (747 a. C.).

Imitando os outros povos da Antiguidade, os Romanos calculavam os anos a partir da data em que cada imperador ou cada cônsul assumia a seu cargo; existia, além disso, um cálculo de tempo ab urbe condita, isto é, a partir da fundação de Roma (753 a.C.).

Os Muçulmanos numeram os seus anos lunares a partir da data da fuga de Mafoma para Medina (622 d.C.).

Os Hebreus tinham diversas eras, entre as quais a que se iniciava com a «criação do mundo»; com base em estudos teológicos, foi ela fixada no ano 3761 a.C.

As modernas tentativas para substituir a era cristã por outras eras faliram sempre e com rapidez: tal sorte coube à numeração dos anos a partir do início da 1ª Revolução Francesa e em Itália, no período entre as duas grandes guerras, à era fascista.

Nos cálculos dos historiadores falta o ano zero, pois ao ano 1 a.C. segue imediatamente o ano 1 d. C.

Trata-se de costume que poderia provocar erros com facilidade quando se quer calcular períodos de tempo decorridos entre datas anteriores e sucessivas ao nascimento de Cristo.

Os astrónomos preferem introduzir o ano zero (= 1 a. C.) e usar os números negativos para os anos precedentes [ 2 a.C. = -1; em geral, n a. C. = -n-1)].

Assim ,por exemplo , o 2000º aniversário da morte de César foi em 15 de Março de 1957, pois que o ano 44 a.C. (segundo a numeração dos historiadores) equivale ao ano -43 (segundo o cálculo dos astrónomos): de acordo com as regras da álgebra 1957 – (-43) = 1957 + 43 = 2000.


Aceitando uma proposta de F.W. Bessel, os astrónomos fixam o início do ano trópico na data em que o Sol médio ( ---- tempo e medida do tempo) atinge a ascensão recta de 280º = 18h 40m. Esta data, início do « ano fictício», coincide sempre aproximadamente com o início civil do ano. Além disso, essa data é definida de maneira universal, ao passo que o início civil do ano da longitude geográfica do local.

A DATA DA PÁSCOA

Segundo as regras do Concílio de Niceia (325 d. C.) e pela tradição, a festa pascal deve ser celebrada no Domingo seguinte ao primeiro plenilúnio da Primavera, ou seja, a Páscoa será no Domingo a seguir à fase da Lua Cheia depois do começo da Primavera.

O cálculo rigoroso da data pascal é difícil, pois exige conhecimento exactíssimo do complicado movimento da Lua.

Na época cristã antiga eram utilizados diversos processos para a determinação daquela data: Estes (sobretudo após a cisão que fez aparecer as Igrejas do Ocidente e do Oriente) conduziram a consideráveis divergências.

Hoje calcula-se a data da Páscoa com base em teoria simplificada da Lua, na qual se consideram as irregularidades mais importantes do movimento lunar (----órbita da Lua): só em excepcionais casos os resultados se afastam dos do cálculo rigoroso.

Damos em seguida, sem reproduzir a complicada demonstração, a regra simples apresentada por C.F. Gauss (1777-1855). Para o cálculo da data da Páscoa no calendário gregoriano (a partir de 1583). Seja A o ano do intervalo, e m e n números que variam ao longo do tempo a seguinte tabela: A =[ 1583 - 1699]; m=22; n=2

=[ 1700 - 1799]; =23; =3

= [1800 - 1899]; =23; =4

= [1900 - 2099]; =24; =5

= [2100 - 2199]; =24; =6

Se se indica o resto das divisões de A por 19, por a, de A por 4, por b, de A por 7, por c, de (19a+m) por 30, por d, e de (2b+4c+6d+n) por 7, por e, a Páscoa será o dia (22+d+e) de Março, ou o dia (d+e-9) de Abril.

Para os casos limites existem ainda as seguintes regras adicionais:

1. O dia 26 de Abril deve ser sempre substituído por 19 de Abril;

2. O dia 25 de Abril deve ser substituído por 18 de Abril se d = 28, e = 6 e a superior a 10. No século XX estas regras adicionais são usadas somente duas vezes: a primeira regra em 1981 e a segunda em 1954.

Muito importante:

consultar, História do Calendário

por :João M. Tomas dos Anjos

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