quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

"Mapa Waldseemuller 1507, a maior descoberta cartográfica do século 21"



Os Portugueses foram os primeiros a navegar pela costa ocidental da América!

Por : José Pestana da Agência LUSA - fonte: http://www.dightonrock.com/
Analista diz que foi Portugal que descobriu o Oceano Pacífico
Washington, 6 de Outubro de 2002 – Os portugueses viajaram pela costa ocidental da América Latina muito antes de 1513, quando o espanhol Fernando Balboa “descobriu” o Oceano Pacífico para os europeus ou da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães em 1519, diz o historiador e analista, Peter Dickson.
Numa investigação que está a causar sensação entre os historiadores norte-americanos, Dickson disse que os seus estudos começaram quando pela primeira vez viu o chamado mapa de Waldseemuller elaborado em 1507. O continente “América” aparece pela primeira vez, em honra do navegador Américo Vespucci.
De acordo com a história, esse mapa foi elaborado antes de navegadores europeus conhecerem a parte ocidental do continente americano banhada pelo Oceano Pacífico.
Dickson, que viu o mapa pela primeira vez em 1995, disse ter ficado “imediatamente espantado” em como os pontos fundamentais geográficos do continente estarem correctos, não só na costa Atlântica como também na costa do Pacifico, em que os europeus alegadamente nunca tinham estado nessa altura.
Em estudos mais aprofundados, Dickson notou que o local onde o continente sul-americano faz um ângulo em direcção ao Pacífico e onde está hoje a fronteira entre o Chile e o Peru, está no mapa de 1507 localizado entre os 18 e 19 graus de latitude sul, virtualmente o mesmo local dos mapas de hoje em dia.
“Quando vi esse ângulo fiquei verdadeiramente aparvalhado”, disse Dickson.
“Os meus estudos mostram que o local nesse mapa tem uma margem de erro de menos de meio grau. Como é que aqueles que elaboraram o mapa poderiam saber disso, se nunca ninguém tinha estado nessa zona?”, acrescentou.

Mapa de Waldseemuller feito em 1507

Este mapa do século XVI mostra a prova de que Portugal chegou ao Pacífico primeiro que a Espanha. Preste atenção ao Oceano Pacífico que está desenhado neste mapa, mas só agora é que o historiador amador, Peter Dickson, notou esta descoberta!
Dickson, embora tenha feito a sua carreira como analista, é conhecido como um historiador especializado nas descobertas marítimas, falou na Biblioteca do Congresso sobre a sua teoria, segundo a qual por volta de 1500, Portugal patrocinou uma viagem secreta em que navegadores passaram pelo Estreito de Magalhães, dobraram o cabo Horn e navegaram depois ao longo da costa ocidental do continente sul americano.
Dickson, faz notar que subsequentes estudos que fez do mapa de Waldseemuller revelaram que as latitudes e longitudes do mesmo têm uma exactidão de cerca de 90 por cento.
O mapa mostra também as montanhas dos Andes que não são visíveis da costa Atlântica.
O mapa não mostra contudo o ponto Sul do continente americano, dando a impressão que não havia ligação entre o oceano Atlântico e o oceano Pacífico, mas Dickson afirma que isso poderá ter sido feito para proteger os interesses portugueses, que na altura não estavam interessados em que se soubesse da existência de uma possível nova rota marítima para as índias.
O historiador norte-americano faz notar que um texto elaborado para acompanhar o mapa refere que o novo continente “está cercado por todos os lados pelo oceano, e que um globo fabricado pela mesma equipa que fez o mapa denomina o Oceano Pacífico com o nome de "Oceanus Ocidentalis”, o nome dado na altura ao Oceano Atlântico.
Para Dickson isto indica claramente que aqueles que elaboraram o mapa sabiam que os dois oceanos estavam ligados.
Para além disso um outro pequeno mapa feito no mesmo ano pela mesma equipa que elaborou o mapa de Waldseemuller, em 1507, mostra claramente o Cabo Horn no extremo Sul do continente americano.
Para Dickson os portugueses, depois de descobrirem o Brasil estavam a morrer de curiosidade” para saber “se havia outro caminho que pudesse constituir problemas para as suas rotas por África.
O mapa quer “proteger os portugueses” tentando evitar a verdade e escondendo a possibilidade de uma rota pelo Sul do continente americano, acrescentou Dickson.
“Aqueles que fizeram o mapa não puseram todas as cartas na mesa”, acrescenta.
Dickson faz notar que o século XVI foi um período em que os conhecimentos de navegação “eram segredo de grande valor, que davam vantagens enormes envolvidos na exploração marítima”.
Para Dickson, o provável comandante da viagem secreta pela costa ocidental da América Latina foi o próprio Américo Vespucci, que até 1504 efectuou quatro viagens ao novo mundo, as primeiras duas a trabalhar para a Espanha e depois duas outras pelos portugueses.
Sabe-se que ao serviço dos portugueses Vespucci viajou para o Sul ao longo da costa atlântica da América do Sul até ao Rio da Prata e descobriu também as ilhas da South Georgia, no Sul do Atlântico.
O próprio mapa de Waldseemuller tem uma bandeira portuguesa no Rio da Prata.
Os responsáveis pelo mapa obviamente tinham contactos com Vespucci, que morreu em 1515, porque deram o nome ao novo continente de América em sua honra.
John Herbert, director do Departamento de geografia e mapas da Biblioteca do Congresso, concorda que a informação poderá ter sido passada por Vespucci. pois Waldseemuller e os seus companheiros eram “cartógrafos de secretaria”.

Globo de Waldseemuller de 1507
“Não tinham a sua própria informação e tinham que a obter de outras fontes, disse Herbert, que fez notar que para além de darem o nome de América ao novo continente em honra de Américo Vespucci, colocaram uma pintura da cara do navegador no topo do mapa e publicaram também um relatório das suas viagens.
Herbert - que está a tentar angariar fundos para permitir à Biblioteca do Congresso comprar o Mapa de Waldseemuller (Certificado de Nascimento da América) – diz que a teoria de Dickson de que os portugueses poderão ter viajado ao longo da costa ocidental do continente americano nunca poderá ser rejeitada.
“Alguém tinha informação sobre a costa ocidental muito antes de Magalhães e Balboa. Quem e como é que isso foi obtido é ainda algo para debate,” acrescentou.
Observe que na parte superior do mapa de Waldseemuller aparece um quadro com uma pintura de Américo Vespucci e ao lado do mapa da América do Sul, indicando claramente o ângulo entre as fronteiras do Chile e do Equador.
Observe também que a junção das fronteiras do Chile com o Equador estão a 19 graus de latitude Sul. É verdadeiramente impressionante este pormenor geográfico correcto num mapa com a data de 1507
Este artigo foi publicado no "O Jornal" da cidade de Fall River, Massachusetts, U. S. A. no dia 16 de Outubro de 2002.
Os Portugueses foram os primeiros a navegar pela costa ocidental da América

O mapa de Martin Waldseemüller, 1507

Por Sérgio Filipe, M. B. A.
Com muito prazer se publica este artigo escrito pelo Eng. Sérgio Filipe, nascido na Alemanha. Este mapa mostra claramente o Oceano Pacífico antes de 1507.
Certamente só os navegadores portugueses é que teriam capacidade de navegação para chegar ao Oceano Pacífico ANTES de 1507.
Este trabalho já foi apresentado em forma de conferência na Sociedade de Geografia de Lisboa, no dia 27 de Fevereiro de 2003. 
Iremos apresentar brevemente este artigo também em Inglês e alemão.
Manuel Luciano da Silva, M. D.

Universalis Cosmographia Secundum Ptholomei Traditionem e Et Americi Vespucci Aliorum Lustrationes (mapa mundo) – Martin Waldseemüller, 1507

Na Páscoa de 1999, quando da visita dos meus sogros a Detroit, onde eu residia com a minha família, decidimos dar uma volta completa ao lago de Michigan. Num desses dias, o cair da noite levou-nos até Sault Saint-Marie.
Decidimos então ir jantar a um restaurante italiano. Quando solicitei a conta, fui até ao balcão para efectuar o pagamento e  nessa altura reparei numa placa com a seguinte descrição:

"America, what a great Italian name!"

'América, que grande nome italiano'

Perguntei então à senhora da caixa, o porquê daquela afirmação, não me soube responder. Expliquei então quem era Américo Vespúcio.

Introdução

O objectivo deste pequeno trabalho é a análise do mapa Universalis Cosmographia Secundum Ptholomei Traditionem e Et Americi Vespucci Aliorum Lustrationes datado de 1507 por Martin Waldsemüller. Este mapa é vulgarmente designado por Mapa Mundo.
Vamos neste artigo analisar as referências ao continente Americano, assim como as referências ao Oceano Atlântico e Pacífico.
O trabalho vai juntar vários elementos em torno da questão do conhecimento Português na descoberta do Novo Mundo.
Este é o primeiro mapa com o nome América, é também o primeiro a representar este novo continente, representando desta forma pela primeira vez o Oceano Pacífico.

Quem foi Martin Waldseemüller?
Martin Waldseemüller provavelmente nasceu em Radolfszell junto ao lago Constância, na Alemanha. Não é certo o ano em que nasceu. De acordo com Grow, Bonacker e Brockhaus o ano em questão seria o de 1470. Götz refere o ano de 1473 e Oehme o ano de 1474. M Eckert refere a vida do autor como sendo 1480 – 1521, neste caso não é de excluir que possa ter havido um erro na impressão pelo que poderia querer definir o ano de 1470 como ano de nascimento. No entanto, existem registos escritos que em 1522 já seria "defunctus". O ano defendido de 1518 por Leo Bagrow e outros, também não pode ser tido como certo, pelo que o ano da morte continua desconhecido.

1 
 De acordo com a moda da época, Martin Waldseemüller acaba por latinizar o seu nome para Ilacomilus, Ilacomylos, Hilacomilus ou Hylacomylus.
2
 Em documentos alemães são conhecidos os nomes Walzemüller, Waltzemüller, Walczen-müller ou Waldsenmüller. Não existe até à data consenso na designação correcta a utilizar.
3
Martin Waldseemüller estudou na Universidade de Friburgo, na diocese de Constância exerceu funções de sacerdote, mas foi em Saint Die (Vosges) como cónego que deu início às suas obras cartográficas. Foi em St. Die, que Waldseemüller leccionou astronomia e geografia.
4
Alguns dos trabalhos cartográficos realizados por Waldseemüller:
Universalis Cosmographia Secundum Ptholomei Traditionem e Et Americi Vespucci Aliorum Lustrationes (mapa mundo)
Cosmographia Introductio (1507)
Carta Itineraria Europae (1516)
Carta Marina (1516
1 Erläuterung zur Carta Itineraria Europae, pág. 7
2 Erläuterung zur Carta Itineraria Europae, pág. 7
3 Erläuterung zur Carta Itineraria Europae, pág. 7
4 The story of maps, pág 1
  

A redescoberta do mapa

A redescoberta do mapa foi feito em 1901 pelo historiador jesuíta Joseph Fisher. Encontrava-se na biblioteca do príncipe von Waldburg zu Wolfegg-Waldsee no castelo de Wolfegg (Concelho de Ravensburg) no estado de Vurtemberg na Alemanha.

5 .
O mapa estava contido num livro do matemático Alemão do Séc. XVI Johannes Schöner.
Continha o livro um total de 12 folhas, designadas de Carta Marina, datada de 1516.
Juntamente com este mapa estavam mais outras 12 folhas de outro mapa mundo, sem data, nem nome de autor. Este último mapa é referido como sendo o Mapa de Martin Waldseemüller, que se irá tratar neste pequeno trabalho.

O livro, o mapa e o globo

Por forma a descrever o conteúdo do mapa e do globo, Waldseemüller escreveu o livro Cosmographia Introductio.

O globo de pequenas dimensões, é suportado pelo mapa projectado (tam in solido quam plano).

Facsimile globe, Martin Waldseemüller, 1507.

O mapa Universalis Cosmographia Secundum Ptholomei Traditionem e Et Americi Vespucci Aliorum Lustrationes (Mapa Mundo de acordo com a tradição de Ptolomeu e as viagens de Amerigo Vespucci), foi realizado em 12 blocos de madeira (com a projecção do mundo). 
Realizado em Estrasburgo, a impressão das cópias foi  feita em St. Die.

12 blocos com projecção, Martin Waldseemüller, 1507

Um total de 1000 cópias foi efectuado, chegando aos dias de hoje um  único exemplar.
Sendo este mapa considerado pelos Americanos como "America´s birth certificate", (Certificado do Nascimento da América), tendo sido comprado pela Library of Congress em Washington, D. C.

América um nome masculino

Para além do mapa, Martin Waldseemüller escreveu o livro de 103 páginas designado por Cosmographia Introductio. Aqui, o autor refere que o navegador italiano Américo Vespúcio havia descoberto a "quarta parte" do mundo (quarta orbis pars).

Atendendo ao facto de que a Europa e Ásia haviam recebido nomes de mulheres, não via razão para que esta outra parte do mundo não tivesse um nome masculino, Amerige, que quer dizer, as terras de Americus, ou América, de acordo com o seu sagaz descobridor (Amerigo)

6
Martin Wadlseemüller resolveu dar a designação "America" no Mapa de Waldseemüller por ele efectuado.
5 Maps slide 312
6 Portugal may have put America on the map, pág. 2
  
 Quem foi Amerigo Vespucci
 
Amerigo Vespucci (português Américo Vespúcio), nasceu em 1454 em Florença, falecendo em 1512 em Sevilha.
Vespúcio era filho de Nastagio, um notário. Trabalhou no Banco Lorenzo and Giovanni di Pierfrancesco de 'Medici, antes de ser enviado a Sevilha, onde o Banco detinha interesses representados por Giannotto Berardi. Estes interesses passavam pela navegação, pelo que aparentemente conheceu Colon (conhecido pelo nome inventado, falso,  de Colombo) aquando da sua chegada da primeira viagem, Março de 1493.
Esta foi a porta aberta  que Vespúcio precisava por forma a aventurar –se pelo Oceano Atlântico.

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Américo Vespúcio no mapa de Waldseemüller junto do novo Hemisfério a América.

As viagens de Vespúcio

No total Vespúcio realizou 4 expedições ao Novo Mundo. No entanto, este número de viagens é posto em questão por alguns.
Duas séries de documentos de Vespúcio são conhecidos. 
A primeira série com uma carta escrita em Italiano e impressa em Florença em 1505; existem também duas versões em latim desta carta: "Quattuor Americi navigationes" e "Mundus Novus", ou "Epistola Alberici de Novo Mundo".
 A segunda série consiste de 3 cartas. Na primeira série são referenciadas 4 viagens, na segunda série somente duas.
Parece verdadeira, a viagem pela coroa Espanhola comandada por Alonso Ojeda, entre Maio de 1499 e Junho de 1500.
Perto da actual costa do Guiana, Américo deixa a companhia de Ojeda e começa a navegar a Sul, tendo descoberto o rio Amazonas, chegando mesmo à latitude 6º (Cabo Agostinho).
No regresso passa por Trindade e foz do rio Orenoco, prosseguindo para o Haiti.

8
Vespúcio ao regressar a Espanha estava convencido de que teria estado nas costas orientais da Ásia.
Tenta assim convencer o Rei de Espanha a promover uma nova viagem que acaba por não ser aceite. Vespúcio vem para Portugal.
Em Portugal, Vespúcio parte de novo para a América.
A 13 de Maio de 1501 sai de Lisboa, em direcção a Cabo Verde, daqui segue em direcção ao  Brasil começando a sua exploração à latitude 6º Sul até à foz do Rio da Prata. É provável que o navegador tenha mesmo estado a Sul do Rio da Prata (Patagónia).
Vespúcio regressou a Lisboa a 22 de Julho de 1502.

9
Parece ser nesta viagem que Vespúcio fica convencido de que a costa navegada não é a asiática mas sim um novo continente que passaria a ter o seu nome!


A aceitação do novo continente no mapa de Waldseemüller

Aquando da preparação do mapa por Martin Waldseemüller, o conhecimento do mundo era aquele defendido por Ptolomeu! O novo conhecimento trazido pelas navegações portuguesas e espanholas, vinham desafiar a visão clássica do mundo, pelo que o autor do mapa não mais poderia ignorar os novos elementos.
Era no entanto importante não existir uma rotura com o conhecimento e valores aceites na altura. O resultado é a colocação da imagem de Ptolomeu junto ao mundo clássico, juntando assim o novo conhecimento do continente que acabou por ser designado por América com imagem de Américo Vespúcio.
7 Biographie Vespucci, pág 1
8 Biographie Vespucci, pág 1 e 2
9 Biographie Vespucci, pág 2 3
Cláudio Ptolomeu, astrónomo grego, nascido no Egipto no Séc. II, junto do hemisfério velho (Europa, África e Ásia) no mapa de Waldseemüller.

O Occeanus Ocidentalis

Neste mapa a designação do Oceano Atlântico é a de Occeanus Ocidentalis
É de referir que o autor designa este mesmo Oceano junto à costa do Magrebe como sendo Athlanticum.

O Atlântico Norte e a Terra Nova

É ainda muito pobre o conhecimento e representação da América do Norte. É já representada a península da Florida "Terra Ulteri' Incognita", não existindo ainda nenhuma ligação entre este ponto e a Terra Nova.
A Terra Nova é representada em forma de ilha tal qual a conhecemos no mapa Cantino, afastada do Continente Norte Americano.
Esta constatação vem mais uma vez evidenciar o segredo bem ocultado pelos Portugueses em relação ao conhecimento da América do Norte.
Pormenor da América do Norte sem a Terra Nova, com uma passagem fictícia na América Central entre o Oceano Atlântico e Pacífico.
 A representação da Terra Nova é feita com a bandeira das cinco quinas.
Terra Nova, sua representação em forma  de ilha e para cá da linha de Tordesilhas.
  
 O Atlântico Sul

É bem presente e visível a marca Portuguesa no Atlântico Sul, as bandeiras, na costa Africana, as Ilhas e a costa Oriental da América do Sul disso são provas.
As ilhas de maiores dimensões representadas perto do Cabo Horn tanto poderão ser as actuais  ilhas Falcland (Malvinas) como as ilhas Geórgia do Sul, ambas hoje sob a jurisdição Britânica.
 O Atlântico Sul com bandeiras das cinco quinas,  repleto de nomes portugueses.

4

O Oceano Pacífico na sua primeira representação

Todos nós aprendemos que foi o português Fernão de Magalhães o primeiro a circum-navegar o mundo no ano de 1519-1522. Já nessa altura o Oceano Pacífico era conhecido, visto o mesmo ter sido descoberto (oficialmente) por Fernando Balboa em 1513. 
No entanto não eram os seus contornos, nem tão pouco a passagem que recebeu o nome de Estreito de Magalhães.
Assim se pode questionar como é que no mapa datado de 1507 por Waldseemüller consegue-se ter a Costa Ocidental da América do Sul perfeitamente definida!
Também não deixa de ser curioso o facto de neste mesmo mapa não ser mencionado nenhuma passagem entre oceano do Atlântico Sul e o oceano Pacífico, no entanto na sua extremidade (Cabo Horn) aparece uma bandeira portuguesa com as quinas de Portugal.
Não podemos partir do pressuposto que é uma mera coincidência, o ângulo que existe entre os paralelos 18 e 19 está claramente representado.

Pormenor do lado ocidental da América do Sul.

A designação dada ao Oceano Pacífico é a de Occeanus Orientalis, mencionado também o Oceano Atlântico como Occeanus Ocidentalis, é esta uma clara referência de que eram conhecidos dois mares e que os mesmos teriam que estar interligados.
O mapa representa ainda as montanhas dos Andes ao longo de todo o lado ocidental da América do Sul.

Cabo Horn

Este cabo na extremidade do continente é assinalado no mapa, contendo ainda uma bandeira com as cinco quinas de Portugal.
O mapa, contudo, não apresenta a passagem do Estreito de Magalhães, certamente que esta informação foi propositadamente ocultada pelos Portugueses por forma a poderem continuar as suas expedições sem atropelos do reino de Castela.
Não podemos esquecer que uma possível passagem para o Oceano Pacífico poderia representar a perca do monopólio do Cabo da Boa Esperança em África por onde os Portugueses faziam passar todas as especiarias vindas da Índia.
Pormenor do Cabo Horn com Bandeira das cinco quinas
   
América Central
  
 Não deixa de ser relevante, o facto de na parte principal do mapa existir uma passagem entre o Oceano Atlântico e Pacífico na América Central. De referir ainda que aqui é também colocada uma bandeira de Castela. Esta passagem deixa de ser representada no pequeno hemisfério junto da imagem de Américo Vespúcio.
  
 A carta náutica de 1424

Já não é a primeira vez que somos deparados com incongruências nos mapas do Séc. XV e XVI.
A carta náutica de 1424 é um desses exemplos. O autor Zuane Pizzigano, apresenta na sua carta náutica quatro ilhas que designaria por antilhas: Saya, Satanazes, Antília, e Ymana. 
Carta Náutica de 1424 de Zuane Pizzigano de Veneza

10
As Verdadeiras Antilhas: Terra Nova e Nova Escócia, Pág. 5
A cuidada análise demonstrou que as mesmas ilhas se encontram nas latitudes da Terra Nova e Nova Escócia, demonstrando ainda ângulos e baías semelhantes às existentes.
Pormenor do lado ocidental com Saya, Satanazes, Antília, e Ymana

O mapa Cantino de 1502
O mapa Cantino não desafia as regras daquele que é o conhecimento aceite pelos historiadores. A justificação da representação da Terra Nova passa pelo facto, de assim estas terras estarem na parte correspondente ao hemisfério português, mas será que o conhecimento cartográfico da época não teria muito mais informação em relação à América do Norte? Que foi feito da informação de João Vaz Corte Real e seus sucessores...

Planisfério anónimo, português, de 1502, dito de Cantino 
 Pormenor com "Terra del Rey de Portuguall"

Tratado de Tordesilhas

Como é sabido o Tratado de Tordesilhas assinado no ano de 1494 pelo rei D. João II de Portugal e o rei Fernando, o Católico de Castela, é o resultado da viagem de Cristóvão Colon à América.
No entanto, durante a negociação o rei de Portugal fez denotar que a linha a 100 léguas a Oeste dos Açores e de Cabo Verde seria demasiado estreita para "os barcos portugueses que navegassem naquela parte, em busca de novas terras ou em viagem de regresso da Guiné".

12

Aquando da assinatura do Tratado, foi demarcada a linha de pólo a pólo, que passava a 370 léguas a oeste de Cabo Verde.
A longitude mais ocidental das ilhas na ilha de Santo António é 25º 23' somando as 370 léguas (21º 37') obtemos a longitude 46º 37', ficando o reino de Castela com as terras a Oeste deste meridiano e Portugal com as terras situadas a Este.

13
Este não deixa de ser mais um elemento curioso na diplomacia e secretismo do reino de Portugal, na procura de justificar os seus bens no continente Americano. É esta nuance do meridiano que faz aparecer no mapa Cantino a Terra Nova segregada do continente Americano mas ainda assim a Este da demarcação assinada com Castela.
O mesmo se verifica no mapa de Waldseemüller em que é colocada a bandeira com as quinas de Portugal na Terra Nova sendo esta mais uma vez uma ilha no Atlântico Norte.

O parecer, ao juntar todas as evidências, é que claramente, era do conhecimento do rei D. João II, a existência de terras a Oeste, a que mais tarde se vêm juntar evidências de ocupação Portuguesa ainda hoje comprováveis.

14
11 Leia-se Cristóvão Colon,
12 O Tratado de Tordesilhas, Tratado de Tordesilhas, Pág. 115
13 O Tratado de Tordesilhas, Tratado de Tordesilhas, Pág. 119
14 The Digital Dighton Rock, Pág. 1

A descoberta do Brasil

Foi no dia 22 de Abril do ano de 1500 à tarde que se avistou terra. "... primeiro um grande monte, muito alto e redondo, que, a pouco e pouco, se converte em terra chã junto da Costa. O capitão deu-lhe o nome: Monte Pascoal e Terra da Vera Cruz".

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Esta é a narrativa oficial da descoberta do Brasil descrita na carta de Pero Vaz de Caminha. No entanto, ao longo dos anos, muitos têm sido os indícios que eventualmente a Terra da Vera Cruz já seria conhecida antes da chegada de Álvares Cabral.
Não deixa de ser curioso que no mapa do Visconde Maiolo de 1504, designa o Nordeste Brasileiro como sendo as terras de Gonçalo Coelho.

16  
O Dr. Mascarenhas Barreto defende ainda que João Coelho havia começado com viagens à América em 1487!

17    
O secretismo das descobertas
Tal como nos dias que correm, o conhecimento era um bem essencial à vantagem competitiva das nações. Este era também o caso da cartografia Portuguesa, que durante o Séc. XV e parte do Séc. XVI, foi a mais rica fonte deste saber.
A cartografia (o seu conhecimento) era concentrada numa carta mestra designada por "padrão", este padrão era actualizado com as várias informações que os marinheiros iriam trazer após as suas viagens pelo mundo fora. Não bastava só actualizar as cartas, mas também delas retirar ilações e disseminar o conhecimento por outros navegadores, que em nome de el Rey de Portugal, navegaram por esses mares fora. Esta responsabilidade era do Almoxarife, entre outro podemos aqui encontrar o nome de Bartolomeu Dias.

18
Mais tarde esta função passa a ser designada por cosmógrafo-mor. Função criada em 1547 e sendo ocupada por Pedro Nunes até ao ano da sua morte em 1578, sucedeu-lhe Tomas d'Orta (1582-1591) e João Baptista Lavanha (1591-1624).

19
Assim sendo, este conhecimento seria um bem essencial na "corrida" pelos mares, tal como hoje a fuga de informação nem sempre é possível controlar.
O número de pilotos (navegadores) e cartógrafos existentes em Portugal, dificultava a ocultação da informação, a aposta Espanhola e mais tarde a Holandesa, sabem tirar partido dos cartógrafos mal pagos em Portugal, havendo assim uma clara transferência deste conhecimento para outras nações.

20
Conclusão

O mapa de Waldseemüller de 1507, trás novos dados em relação ao conhecimento do novo mundo. Aquilo que muito se havia  estudado, é colocado em questão. A sensação é unânime, as datas não coincidem, o conhecimento é excessivo, e deixa a grande questão: de quem veio esta informação? Mais uma vez, os Portugueses são aqueles melhor posicionados para poderem chamar a si estas descobertas!
14 The Digital Dighton Rock, Pág. 11
15 E como Pero Vaz de Caminha descreve a Terra de Vera Cruz, A carta de Pêro Vaz de Caminha, Pág. 63
16 The discoveries before Columbus, The Portuguese Columbus, pág. 62
17 The discoveries before Columbus, The Portuguese Columbus, pág. 62
18 The influence of 16 th -century Portuguese and Spanish mapmaking on England and Flanders, Mapping for Money, pág. 16
19 The influence of 16 th -century Portuguese and Spanish mapmaking on England and Flanders, Mapping for Money, Pág. 16
 20 On Spanish and Portuguese secrecy, Mapping for Money, pág. 30/ 31 7
The Digital Dighton Rock, Sérgio Filipe, 2002.
 A carta de Pêro Vaz de Caminha, Auto do nascimento do Brasil, Mar de Letras, 2000.
The Portuguese Columbus, Mascarenhas Barreto, St. Martins Press, New York.
Portugal May Have Put America on The Map, Paulo Monteiro, Posted from: 213.58.12.63. 8

 Bibliografia
 Universalis Cosmographia Secundum Ptholomei Traditionem e Et Americi Vespucci Aliorum Lustrationes Waldseemüller's World Map, 1507, Wychwood Editions.
 Erläuterungen zur Carta Itineraria Europae, Kirschbaum Verlag, Bonn, Bad Godesberg, Dezember 1971.
 The story of maps, Bonanza Books, New York 1949.
Slide 312 [Online] Available from: http:// www. henry-davis. com/ MAPS/ Ren/ Ren1/ 310mono. html [Acedido a 15 de Janeiro 2003].
As Verdadeiras Antilhas: Terra Nova e Nova Escócia, Dr. Manuel Luciano da Silva, Editora Sílvia Jorge da Silva, 1987 Bristol R. I

Biographie Vespucci [Online] Available from: http:// www. bigoid. de/ conquista/ biographien/ vespucci. htm [Acedido a 13 de Dezembro 2002].Mapping for Money, Kees Zandvliet, Batavian Lion International, Amsterdam 1998.
Tratado de Tordesilhas, Banco Bilbao Viscaya (Portugal), S. A., Lisboa 1994.  
The Digital Dighton Rock, Sérgio Filipe, 2002.
A carta de Pêro Vaz de Caminha, Auto do nascimento do Brasil, Mar de Letras, 2000. 
The Portuguese Columbus, Mascarenhas Barreto, St. Martins Press, New York.
 Portugal May Have Put America on The Map, Paulo Monteiro, Posted from: 213.58.12.63. 8
Bibliografia
Universalis Cosmographia Secundum Ptholomei Traditionem e Et Americi Vespucci Aliorum Lustrationes Waldseemüller's World Map, 1507,
Wychwood Editions.
Erläuterungen zur Carta Itineraria Europae, Kirschbaum Verlag, Bonn, Bad Godesberg, Dezember 1971.
The story of maps, Bonanza Books, New York 1949.
Slide 312 [Online] Available from: http:// www. henry-davis. com/ MAPS/ Ren/ Ren1/ 310mono. html [Acedido a 15 de Janeiro 2003].
As Verdadeiras Antilhas: Terra Nova e Nova Escócia, Dr. Manuel Luciano da Silva, Editora Sílvia Jorge da Silva, 1987 Bristol R. I.
Biographie Vespucci [Online] Available from: http:// www. bigoid. de/ conquista/ biographien/ vespucci. htm [Acedido a 13 de Dezembro 2002]. Mapping for Money, Kees Zandvliet, Batavian Lion International, Amsterdam 1998.
Tratado de Tordesilhas, Banco Bilbao Viscaya (Portugal), S. A., Lisboa 1994.
The Digital Dighton Rock, Sérgio Filipe, 2002. A carta de Pêro Vaz de Caminha, Auto do nascimento do Brasil, Mar de Letras, 2000.
The Portuguese Columbus, Mascarenhas Barreto, St. Martins Press, New York.
 Portugal May Have Put America on The Map, Paulo Monteiro, Posted from: 213.58.12.63. 8



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