quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

"Ponta Redonda do Farol Giraul, baía de Moçâmedes, Namibe, Angola"


de Maria Nídia Jardim:
O farol do Saco do Giraúl para além da função estritamente inerente à sua actividade, estava inserido num local onde as pessoas se deslocavam, designadamente aos fins de semana para passearem pela zona litorânea a norte de Moçâmedes, passando dali até à Praia das Conchas e Barambol.


farol Saco Giraúl
Eram 3 zonas muito frequentadas, especialmente, por pescadores desportivos de pesca à linha, de pesca à cana e caça submarina, a partir da Praia das Conchas até foz do rio Giraúl.


vista da baía de Moçâmedes da Ponta Redonda do Giraúl
Toda a zona do Farol até à Praia das Conchas, onde se situava um banco rochoso, é uma zona de muita rebentação, e, se uns iam para o local com o fito de darem asas ao gosto pela pesca/caça aos peixes, outros iam simplesmente para as zonas menos rochosas apanhar búzios, burriés, pequenos caranguejos, ostras, mexilhões, sujeitando-se, a cortar os pés ou as sapatilhas com as conchas afiadas como lâminas, outros ainda para contemplarem o espectáculo que lhes era dado apreciar das altas ondas do mar envoltas em espuma a baterem furiosas nas altas rochas da zona, como que as querendo galgar.
praia das Conchas
Ao fim do dia os pescadores desportivos mais aguerridos podiam pela a sorte levar para casa uma variedade de peixes, desde garoupas vermelhas pintadas, pargos, sargos / mariquitas, canelas, meros, moreias, anchovas, tinhas, badejos, chocos, polvos, lagostas, que davam para encher o frigorífico para a semana.
costa Barambol



foz rio Giraúl
Afinal valia mesmo a pena ir até ao Farol, à Praia das Conchas e ao Barambol! Uma curiosidade: na «Praia das Conchas», como em algumas outras praias como a do Chiloango, etc., é comum verem-se grandes ossaduras de baleias, que ali vão «encalhando» trazidas pelas correntes desde a Praia Amélia (*), em tempos mais para trás (década de 1920/30), uma vez que durante essa década existiu naquela praia, a 6 km a Sul do centro da cidade de Moçâmedes, uma grande empresa norueguesa que ali se instalou, vocacionada na industrialização de carne e gordura desses cetáceos.
Eis a imponente WELWITSCHIA MIRABILIS planta milenar contemporânea dos dinossauros apenas existente no deserto de Moçâmedes. Esta espécie vegetal foi descoberta a 3 de Setembro de 1859 pelo botânico explorador austríaco Frederich A. Welwitsch Frederic Welwitsch (1809-1878) foi para Lisboa em 1839, onde consegue autorização para entrar em Angola, para onde embarcou a 8 de Agosto de 1853 e onde fez demoradas explorações botânicas tendo descoberto a Welwitschia Mirabilis no deserto de Moçâmedes, actualmente Deserto do Namibe.
A planta que recebeu o binome de Welwitschia Mirabilis Hook. F.
É tão diferente, morfologicamente de todas as espécies botânicas conhecidas, que dada a grandeza dessa diferenças, não “cabia” em nenhum dos géneros já descritos. Houve, por isso, a necessidade de criar um género novo, o qual ainda se conserva, como uma única espécie consequentemente. Definir uma nova família de plantas para este único género, a família das WELWITSCHIACEAE.WELWITSCHIA , é também conhecida por "Tumbo", pelos autóctones, nativos da região do deserto de Moçâmedes.
As suas flores são unisexuadas. Os estames masculinos atingem aproximadamente 6 cm (antenas com 3 divisões) localizam o óvulo estéril envolto pelo periano.
Welwitschia é uma planta da família das gimnospérmicas adaptada á vida nas regiões desérticas da África tropical. É uma planta de caule de grandes dimensões, com a forma de um gigantesco cogumelo dilatado e côncavo de 50 a 75 cm de altura que parece partida pelo golpe de um machado em tiras.
As suas grandes folhas, duras e muito largas, deitadas no chão, arrastam-se pelo deserto podendo atingir dois ou mais metros de comprimento
Diversos trabalhos mundiais sobre a Welwitschia encontram-se em exposição em vários Jardins botânicos espalhados pelo mundo. Que se encontram descritos no livro Botanical Gardens of the World.
Entre outras pessoas que deram igualmente o seu contributo na pesquisa desta espécie no período de 1953 a 1955, podemos destacar os seguintes Professores: A.H. Church, E. Salisbury, Henri Humbert, Jose Dalton Hooker, Luís Wittnich Carrisso, Melo Geraldes, R. J. Rodin, W.J.Hooker.
Mais recentemente, Maria Helena Boavida.

Coisas que já se disseram acerca da "welwitschia mirabilis":

welwitschia mirabilis
"A "welwitschia mirabilis", descoberta nas vizinhanças do Cabo Negro, da costa ocidental africana, é a mais curiosa das gnetaceas e talvez de todas as dicotiledoneas. Este bizarro vegetal é conhecido entre os indígenas pelo nome de TUMBO."
(Dr. José Dalton Hoecker, Presidente da Sociedade Real de Londres e sócio da Academia das Ciências de Paris)
"Uma das curiosidades do deserto de Moçâmedes é a célebre "welwitschia mirabilis", planta estranha, verdadeiro aborto do reino vegetal. O caracteres aberrantes do seu aparelho vegetativo, conferem-lhe um lugar de destaque no conjunto das formas vegetais."
(Dr. Luís Wittnich Carrisso, Professor de Botânica da Universidade de Coimbra.)
"A "welwitschia mirabilis" é uma das maiores maravilhas que tem produzido a natureza."
(Dr. Augusto Henriques Rodolfo Griesbach, Professor de Botânica da Universidade de Göttingen).
"É sem sombra de dúvida a planta mais maravilhosa e também a mais feia que jamais trouxeram a este país."
(Regius Keeper, do Royal Botanic Gardens, Kew - 1863)
porto mineiro e baía de Moçâmedes, Namibe
 
 "Foi nos anos de 1858/59 que o botânico austríaco Dr. Welwitsch, contratado pelo governo português, descobriu e classificou a "welwitschia mirabilis", dando-lhe o nome de "tumboa bainesii". Os caracteres desta notável planta são de tal modo desconsertantes, que vindo a ser estudada há perto de 80 anos pelos mais eminentes botânicos, ainda hoje se discute qual o lugar que lhe compete na escala botânica, como se pode ler nos autores citados e nos trabalhos de Baines, Anferson, Júlio Henriques, Hallier, Chodal, etc..
A "welwitschia mirabilis" por consenso geral é tida como a maior descoberta botânica do século XIX e, em todo o globo, é o distrito de Moçâmedes o único lugar em que ela vegeta, havendo centenas de milhares na parte desértica, desde os minúsculos exemplares, até aquelas que, pelo seu porte, demonstram uma existência multissecular."

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