sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

"chave do enigma das expedições marítimas e morte do navegador Diogo Cão"





Referente à 2ª expedição de exploração marítima ao longo da costa ocidental africana a Sul do Equador, efectuada pela guarnição de Diogo Cão, entre Setembro de 1485 e finais de 1486 ou princípios de 1487, o cartógrafo Henricus Martelus Germanus, no seu globo terrestre de 1489, inseriu uma legenda em latim, divulgando a morte do navegador,  e não referindo  em que circunstâncias ocorreu, [por doença ou acidente!],

Navegando 1000 milhas para Sul além do Cabo Negro, Angola latitude 15º 40' Sul, ao longo da costa marítima, a guarnição atingiu o actual "Cape Cross", Namíbia, latitude 21º 46' Sul implantado o último padrão, chamado de Cabo da Cruz/Serra, depois a praia das Sardinhas e por último a Serra Parda.



No séc. XIX, a legenda foi muito contestada por historiadores modernos, aludindo  ao facto do termo “ hic moritur”, “aqui morre” se refere implicitamente, ao “términos”, fim da 2ª expedição  marítima ao longo da costa ocidental africana a Sul do Equador e  não à morte do navegador.

Esta contestação dos historiadores  resulta, segundo parece,  das afirmações contidas pelo cronista João de Barros em “Décadas da Ásia”, séc. XVI. 

Decorridos 30 anos após os acontecimentos o cronista afirmou:

O navegador, Diogo Cão regressou ao reino e dele nunca mais houve notícia”.

A partir de 1891, criou-se o mito de justificar um lugar adequado à sepultura do navegador!

Começou a circular boatos de que em Vila Real de Trás-os-Montes, a existência do túmulo de Diogo Cão.

O Padre Ruela Pombo afirmou: «Na hoje cidade de Vila Real de Trás-os-Montes na igreja de São Domingos, Sé Catedral, existe o túmulo que guarda os restos mortais do grande navegador Diogo Cão».



Igreja São Domingos, Sé Catedral Vila Real
Na revista "Diogo Cão 1ª série (1931 – 1932)", pág. 196, o P. Ruela Pombo refere:
«Diogo Cão..... Jaz em Vila Real, na igreja de São Domingos, onde o seu sarcófago simples está exposto na arcadura da nave do lado do Evangelho».
Esta notícia, mais tarde foi divulgada por Gastão de Sousa Dias.
Ainda hoje existe a convicção de que o navegador não morreu no termo da segunda viagem de exploração marítima, terá  regressado ao reino com os sobreviventes da expedição!
Na igreja de S. Domingos da cidade de Vila Real de Trás-os-Montes,  a meio da nave do Evangelho, existe um túmulo embutido numa parede sob um ornamentado arco. Tem uma inscrição de três linhas, duas na face do tampo e a terceira no rebordo, achando-se esta última muito mal conservada.
O túmulo pertence à família Taveira de Magalhães. A letra da inscrição – alemã minúscula – corresponde ao tempo do navegador?!

túmulo  Pêro Domingues
O sarcófago,  é de Pêro Domingues, do qual se transcreve a inscrição:
ESTA OBRA MÃDOU FAZER D Aº E SUA MULHER BRÃCA DYZ E JAZ SEU FILHO PERO DIZ QUE D (e)US AJAO
Assim sendo, o túmulo em questão não veio, nem vem  resolver o debatido problema sobre a morte do navegador.
Das afirmações contidas pelo cronista, surgiu então a seguinte teoria:
"Pelo facto da guarnição, não ter encontrado " o tão desejado cabo extremo Sul do continente africano,  o "Promontorium Prassum", nesta 2ª expedição marítima, agora terminada,  como teria sido anunciado aquando da conclusão da 1ª expedição marítima, em Abril de 1484, o monarca português, D, João II, ostracizou o navegador pelo malogro das expedições!
Se o navegador volveu ao reino como refere o cronista, em que circunstâncias ocorreu a sua morte?! Quem sabe onde se encontram os seus restos mortais?!
Em Portugal não existem provas contidas em gravações ou inscrições, referências acidentais, crónicas, obras históricas de síntese, relações, alvarás, documentação e anotações, do  navegador estar sepultado em mosteiro, convento, igreja ou em outro local....ou D. João II teria feito  desaparecer todas as menções do navegador, por causa dessa tal hipotética errada informação?!


acácias em flor, ex-libris da região de Benguela e Moçâmedes em Angola
À descoberta do extremo Sul do continente africano, o Cabo da Boa Esperança, “João Santiago”, foi nomeado pelo navegador Bartolomeu Dias  para pilotar a naveta de mantimentos. 
É de realçar  que, o nome  "João Santiago"  está inscrito nas pedras de Yellala na margem esquerda a 2000 metros da confluência do rio M’Pozo com o rio Zaire, onde se pode  ler o nome do piloto em letra  “estilo gótico”.
Deste modo, João Santiago pilotou  uma das caravelas da guarnição de Diogo Cão, na 2ª expedição marítima iniciada em Setembro de 1485.
O piloto, após o términos da 2ª expedição marítima da guarnição de Diogo Cão fez-se novamente ao mar na naveta de mantimentos da frota do navegador  Bartolomeu Dias,  zarpando do rio Tejo no dia  5 de Agosto de 1487, com mais duas caravelas.
Assim a guarnição ou os sobreviventes da frota de Diogo Cão regressou a Portugal antes de Dias zarpar do rio Tejo, na demanda da descoberta do Cabo mais meridional do continente africano!
Os sobreviventes da guarnição de Diogo Cão chegaram a Portugal provavelmente a finais de 1486 ou princípios de 1487.
Esta análise tem por base o tempo planeado para as expedições marítimas do reinado de D. João II, como limite máximo 20 meses no mar oceano.
Atingido em Janeiro de 1486, o ponto antes reconhecido na 1ª expedição marítima, Setembro de 1483 – o Promontórium Prassum – Ponta Redonda do Farol do Giraúl, Norte da Baía de MoçâmedesNamibe, Angola , denominado depois de  “Cabo Zorto”, Falso Cabo”, ver o mapa de Henricus Martelus Germanus, a guarnição de Diogo Cão nesta 2ª expedição marítima, supôs achar-se ante um mar aberto, portanto no fim de África!



baía Moçâmedes, Namibe, Angola
A protuberância de aspecto redondo, ou falso cabo, "lembrando o dedo polegar de uma mão" dá acesso a uma grande baía a perder-se de vista!
A partir do farol de sinalização marítima, a orla marítima com penhascos de 30 metros de altura até 1 Km para Leste, se estende  2,5 Km para Nordeste, e no porto mineiro do Saco do Giraúl faz uma inflexão para Sudeste, Sul, Oeste e Noroeste num prolongamento aproximado de 15 Km.
Para Sul da Baía de Moçâmedes, a navegação foi prosseguindo, ao longo duma costa marítima totalmente deserta, estendendo-se para além de 435 milhas náuticas [805 km], até Cape Cross no Sudoeste Africano, hoje  Namíbia.
A legenda do globo de Henricus Martelus, constitui o documento chave e preponderante. 
O navegador morreu no termo dessa viagem! Como teria ocorrido, “por doença, ou por se embrenhar terra a dentro, desaparecendo…”.!
As ordens régias foram determinantes: “sigilo absoluto de propagar notícias e informações detalhadas àcerca desta 2ª expedição marítima agora terminada”. As afirmações da "aproximação ao Promontorium Prassum" proferida pelo embaixador Vasco Fernandes de Lucena, junto da Stª Sé ao papa Inocêncio XVII em Roma no dia 11 de Dezembro de 1485 dos resultados da 1ª expedição marítima terminada em Abril de 1484, não fora concretizado! As afirmações, manter-se-iam, para não comprometer o bom nome do reino de Portugal.
O anúncio de Lucena ao Papa, teve como objectivo imediato, adquirir vantagens pecuniárias para o reino, como acontecera com  outras descobertas marítimas!
É impossível imaginar a desilusão sofrida pela  guarnição da frota ao chegar a Cape Cross, latitude 21º 47’  Sul, exausta e  sem  esperanças de prosseguir a sua rota. 
A costa marítima se prolongava infinitamente para Sul, não havia sinais de se estender para Oriente, Nordeste ou Norte !
Falta de recursos, água e víveres já se fazia sentir, a bordo!
No séc. XIX, passados 400 anos, o mistério adensou-se.
Alguns homens da história queriam saber o que teria acontecido ao navegador. Para o efeito, arranjaram uma explicação para o sucedido! Teria sido ostracizado pelo monarca pela falsa informação obtida!? O cabo extremo meridional de África,  não fora  atingido como  o anunciado no términos da 1ª expedição marítima! 
Desconhecem-se documentos coevos, registos epigráficos ou arqueológico, que desfaçam o mistério!
O navegador teria dado muitas alegrias ao rei de Portugal D. João II!
Os seus actos heróicos assim o demonstram: apresamento de 4 navios espanhóis no Golfo da Guiné, a descoberta de mais de 5.000 km de costa, o contacto e a amizade com o imperador das terras do Congo, a colocação de três padrões ao longo da actual costa de Angola e um na Namíbia, assinalando as terras descobertas para a posse de Portugal.
A notícia divulgada pela guarnição do regresso desta 2ª expedição marítima : “Diogo Cão embrenhou-se por terra adentro e nunca mais apareceu”,   reúne o melhor testemunho para uma  explicação deste insólito mistério!
O que terá levado o navegador deixar a guarnição, decidindo embrenhar-se  terra adentro pelo deserto do Calaári?!
Não encontrando o extremo Sul de África, viu-se constrangido a confirmar o que anunciara ao rei de Portugal em Abril de 1484, "a aproximação ao Promontorium Prassum da geografia de Ptolomeu"!
O sentimento da procura da consideração pública pelo cumprimento do dever, da prática de boas acções, demonstrações de respeito e sobretudo de dignidade,  por uma "Questão de Honra". A "Honra", difundia respeito, seriedade, vassalagem e sobretudo confiança. 
Navegar ao longo duma costa marítima traiçoeira, deserta, avassaladora   e desconhecida, alguma vez alcançada, a actual "Costa dos Esqueletos", onde ao longo dos tempos  vão deambulando carcaças de barcos desfeitos pelo mar bravio nos areais sem fim, exigia grandes esforços físicos por parte da tripulação.
A sagrada esperança do continente africano inflectir para Oriente, Nordeste ou Norte, sentimento à muito procurada, desde a baía de Moçâmedes, não chegara ao seu termo.
A guarnição encontrava-se diante duma grande colónia de focas e leões - marinhos, onde abundam pela  extensão do cabo da Cruz ocupando ordenadamente as suas posições.
Deixando as caravelas fundeadas longe da rebentação das ondas, alguns homens desembarcaram nos botes num sítio onde o mar é mais sereno, na baía adjacente ao cabo, onde iria ficar implantado o último padrão. Próximo das rochas e pedras escorregadias a uns 300 metros, onde habita uma colónia de focas aos milhares, ergueu  o Padrão do Cabo da Cruz ou da Serra.


cape Cross, Namíbia, Sudoeste Africano
Torturado pela desilusão sofrida quanto ao caminho da Índia de supor ter alcançado o termo austral de África na 1ª viagem de exploração marítima, a Ponta Redonda do Farol do  Giraúl, o navegador deu por finda a missão em Cape Cross, Cabo da Cruz/ Serra, fazendo-a com muita mágoa e não prosseguir a rota. 
Da Ponta Redonda do Farol do Giraúl, Angola  até Cape Cross , Namíbia, navegou 480 milhas náuticas, sem encontrar a tal passagem para o oceano Índico.!
Razões ponderosas o forçaram a desistir, como a longa duração da viagem, a escassez de alimentos, principalmente falta de água para abastecimento. Dificuldades adversas à navegação ao longo da costa contra a corrente fria de Benguela [sentido contrário aos ponteiros do relógio] ventos alísios soprando de Sudoeste, e falta de enseadas e portos seguros.  Também o escorbuto, já teria  feito algumas vítimas?!
A costa inóspita e deserta onde a guarnição se encontrava, não oferecia aos visitantes quaisquer meios de subsistência, a não ser pescado em abundância e em último recurso a colónia de focas!
Na intuição de observar lá do cimo, a orla marítima da costa mais a Sul, decidiu embrenhar-se por terra adentro em direcção à Serra Parda!
Do alto, o campo de visão tornar-se-ia mais amplo. Observação directa, onde podia resultar a esperança de observar “in loco” uma abrangência mais definida e ampla da costa a inflectir para Oriente ou Norte!?!
Ninguém o seguiu, a guarda pessoal do mestre não foi  autorizada a segui-lo, ou  não estaria motivada para o fazer!
Enquanto se embrenhou, deixou de ser visto pelas elevações do terreno, dum lado e do outro o encobriram dos olhares atentos dos marinheiros!
Nas imediações da Serra Parda  ou de regresso teria sido atacado por um grupo de leões famintos... ou sob um calor ardente se desvaneceram as suas forças na encarniçada caminhada, ficando inanimado para sempre longe dos olhares da guarnição?!....
Das aturadas buscas para o interior, os nautas observaram grandes dunas do deserto, orvalho matinal aninhado na vegetação rasteira e falésias  a indicarem leitos de rios que outrora por ali passavam.
O navegador desapareceu sem deixar  rasto....
A guarnição  seguiu  até  à Ponta dos Farilhões 22º 26’ lat. Sul, última etapa conhecida. As caravelas retrocederam.
A adversidade da costa desértica e o mar bravio não permitia aos mareantes permanecer por ali muito mais tempo.
Durante  o dia referenciavam cabos e enseadas. Ao escurecer   ancoragem em mar alto de velas desfraldadas,  evitando o arrastamento das embarcações pelos ventos fortes e  correntes marítimas.
A aproximação à costa fazia-se em extremo cuidado!  Medição constante da fundura (braças) do mar, a fim de evitar  as embarcações de encalharem em baixios ou rochedo em que a costa é muito fértil.....
Do deserto do Namibe (Moçâmedes) ao deserto do Calaári, a vegetação é rasteira. Abunda principalmente a Welwitchia Mirabilis, acácias espinhosas e outras espécies, plantas xerófilas próprias do deserto adaptadas a grandes amplitudes térmicas.


Welwitchia Mirabilis, planta do deserto de Moçâmedes em Angola
O Mapa de Henricus Martellus, foi (é) interpretado ao longo dos tempos como sendo uma alusão que a 2ª viagem de exploração marítima teve o seu “términus” – fim – morte, por alturas da Serra Parda – Namíbia.
Os apologistas desta teoria, lendo e relendo as Décadas da Ásia de João de Barros, sempre acreditaram ou acreditam que a guarnição de Diogo Cão ao atingir a latitude da Serra Parda, o Cabo do Padrão da Serra, hoje Cape Cross, deu por finda a expedição, voltou para trás, retomando a navegação para Norte. 
Fez escala novamente no porto de M'Pinda  subiu o rio Zaire à procura do rei do Congo - Manicongo – à sua residência (M’ Banza). Seguidamente  volveu ao reino e dele, navegador, nunca mais houve notícia!
O navegador comprometera-se demasiado, também por culpa dos melhores da frota, ao anunciar a D. João II, em Abril de 1484, a aproximação ao promontório Prassum, onde começa o Golfo arábico.
À luz dos documentos desse tempo, considerando “O Mapa de Fra Mauro”, e a “Oração de Obediência ao Papa”, os portugueses estavam a escassos dias de navegar pelo golfo arábico.
Esta notícia terá provocado surpresa geral na corte do Papa! Nunca alguém teria ido  tão longe ao longo da costa ocidental africana como os portugueses, ultrapassando o paralelo 15º Sul que se supunha ser o limite e extremo Sul do continente africano!


baía de Moçâmedes vista da Ponta Redonda do Farol do Giraúl, Angola
Na 2ª viagem de exploração marítima, a guarnição ao atingir a Ponta Redonda do Farol do Giraúl, a perplexidade e a desilusão foi total!
Uma larga baía a perder-se de vista, a  costa  marítima afinal descreve um arco de 15 Km e segue novamente  na direcção do Sul!
As terras costeiras  continuam sem quaisquer espécie de arvoredo, estendendo-se o areal infinitamente!
Grande desilusão esta, provocou a apreensão geral da guarnição!
Seguindo a direcção do Sul, deu com um cabo, onde implantou  o padrão do Cabo Negro, 15º 45’ lat. Sul.
cabo Negro, Angola
Entrou numa angra, onde observou duas aldeias, actual TombuaPorto Alexandre, a que chamou de "Angra das Aldeias" perto da foz do  rio Curoca.
cabo Negro, foz  rio Curoca. Porto Alexandre, Tombua, Angola
Os habitantes locais viviam da pesca, moravam em sebes construídas à base de esqueletos dos cetáceos, cobertas da própria areia da praia.
A guarnição  não sabia que a partir dali, a navegação, se iria tornar hora a hora cada vez mais penosa. O esforço de continuar a exploração da costa,  corresponderia a perdas importantes da guarnição.

baía dos Tigres, Angola
De seguida, reconheceu: 
A " Terra Alta" , região do Iona
A “Manga das Areias”, ilha da  [baía dos Tigres] 16º lat. Sul, 
Ponta Verde
As  “ Dunas” – 19º lat. Sul,
O "Golfo das  Baleias” 20º lat. Sul, 
Angra de Rui Pires– 20º 46’ lat. Sul,
A Angra de Stº Amaro 20º 27’ lat. Sul 
Cabo do Padrão da Serra ou Cruz [ Cape Cross] 21º 46’ lat. Sul.
A Praia das Sardinhas, Serra Parda e    Ponta dos Farilhões latiude 22º 26’ Sul.

costa marítima, foz Cunene a cape Cross, Namíbia
Cedendo às forças da natureza, porque não era de fácil contentamento, o navegador decidiu explorar aquela zona interior da Serra Parda, com o intuito de avistar lá do cimo, uma amplitude mais vasta do horizonte da costa para Sul?!
Envolto no mistério, seguiu em frente e desapareceu. Deixou de ser visto pela bruma, névoa do deserto ou pelas grandes dunas do cardápio disponível.
A caminho da Índia a armada de Pedro Álvares Cabral zarpou da costa brasileira no dia 2 de Maio de 1500.
A 23 de Maio de 1500 pelas alturas do Cabo de Boa Esperança, foi atingida por um tufão. Quatro naus foram  ao fundo com todos os marinheiros a bordo, entre elas a de Bartolomeu Dias que morreu. Dias naufragou antes de atingir pela 2ª vez o Cabo da Boa Esperança.
Vasco da Gama, o primeiro europeu a atingir a Índia por mar, em 20 de Maio de 1498, morreu em Cochim, Índia a 24 de Dezembro de 1524. Transladado em 1539 para a Vidigueira aí permaneceu até 1889. Hoje, os seus restos mortais repousam no mosteiro dos Jerónimos, Lisboa.
Pedro Álvares Cabral foi sepultado em Santarém, igreja de Nª Sr.ª da Graça.
Diogo Cão desiludido e equivocado por não encontrar a passagem para o Oceano Índico, como anunciara em Abril de 1484 a el-rei D. João II, seu senhor, deixou a armada no Cabo do Padrão da Serra, Março de 1486.
Seguiu em direcção ao interior árido, em direcção à serra …, o percurso é muito distante e penoso… na convicção de avistar lá do cimo uma amplitude mais vasta do horizonte costeiro, quem sabe, uma vez que já não dispunha dos meios para continuar a viagem para Sul?!
Como responsável máximo não se apresentaria ao rei, dando o dito por não dito.
Com esta atitude salvaria a honra do convento!
A guarnição regressou ao reino, o responsável máximo desaparecera. Deste modo não seria responsabilizada pelo (in) sucesso da expedição.
No regresso a guarnição  comandada pelo imediato,  Pero Anes,  entrou no rio Zaire e aportou a M’ Pinda, a 10 Km da foz, prometendo ao Manisoyo, irmão da mãe do rei do Congo voltar, mas não trouxe a embaixada Congolesa.
O navegador desapareceu da história, como sempre acontece àqueles que nas grandes lutas são feridos pelo insucesso.
A partir daqui, do seu nome fez-se um silêncio impressionante.
Todavia, deixou aos seus continuadores preciosos ensinamentos. Desde logo foram aproveitados por Bartolomeu Dias e por Vasco da Gama: para vencer a costa árida  era  necessário transportar os próprios mantimentos.
A caravela de dois mastros, foi o navio empregue nestas viagens até Bartolomeu Dias dobrar o Cabo da Boa Esperança.
É bem notório, o impedimento da continuação da última viagem de Diogo Cão tenha sido precisamente a falta de autonomia da caravela, agora patente pelo alongamento das explorações marítimas.
A guarnição, ver-se-á constrangida a voltar para trás, face a uma costa desértica, onde não tem a certeza de poder reabastecer-se, sem provisões a garantir o retorno com segurança, sobretudo água potável.
Em reforço desta explicação ocorre o facto da armada de Bartolomeu Dias incorporar uma naveta  de abastecimentos. Foi abatida uma vez cumprida a sua função, servindo de apoio às duas caravelas de exploração.
Depois do regresso a Lisboa, a 16 de Dezembro de 1488, os navegadores deram conta ao rei da sua impossibilidade de prosseguir a viagem por não terem navios fortes para enfrentar os “mares grossos” que encontraram; por isso Vasco da Gama levará naus na primeira viagem a fazer a ligação marítima com o oriente, navios que, entre outras vantagens apresentam uma capacidade de carga muito superior, e portanto maior autonomia nas viagens de longo curso.
Bartolomeu Dias, por sua vez, tira uma nova lição: a navegação deve ser realizada pelo mar largo – o grande golfão de Camões – “ por onde se encurta a viagem e nos fica mor proveito “.
De Cabo Verde navegar-se-á durante seiscentas léguas na direcção do Sul, até ao 19º e daí, cortando o ângulo para ESSE, durante oitocentas e cinquenta léguas, atingir-se-á o paralelo 37º S, a quarenta léguas do Cabo, que assim será facilmente dobrado.
Desta forma se aproveitam a favor da navegação os ventos dominantes do Atlântico Sul.
Mais tarde os navios à vela navegam como quem demanda os portos do Brasil, remetendo para a costa africana os 24º de lat. S. logo que topam ventos de feição.
Como consequência imediata das viagens de Diogo Cão, deve ser considerada a expedição ao Congo em Dezembro de 1490, sob o comando de Gonçalo de Sousa, o qual regressam à sua pátria os africanos levados a Portugal pela frota de Bartolomeu Dias. Foram educados em letras e religião no Convento de Santo Elói, indo também, em satisfação os desejos do rei do Congo, muitos padres franciscanos, com materiais para templos e alfaias para o culto.
Nesta fase decisiva das descobertas, quando o Cabo das Tormentas já está descoberto, grande importância se deve atribuir à evangelização do Congo, onde se distraem navios, gente e cabedais.
Esse interesse acentua-se no reinado de D. Manuel I, chega a encarar a possibilidade de realizar pelo Zaire a ligação com a Abissínia, aproveitando o Lago Central africano, com tanta insistência dão notícias os exploradores portugueses do século XVI.
Do Congo se estendeu também para Sul a acção dos portugueses, de tal forma que, antes de 1526, estes atingiram o coração do reino de Angola e, 60 anos depois, penetraram no reino de Benguela.
As viagens de Diogo Cão costumam ser consideradas como marcando o início da história da grande colónia de Angola, a história do Congo com ela pouco a pouco é fundida, como se fundem na verdade os outros dois antigos reinos indígenas da “Matamba e Benguela”.
Não coube a Diogo Cão a glória de dobrar o Cabo da Boa Esperança, como Luciano Cordeiro por momentos suspeitou.
A sua figura avulta com notável destaque, entre todos os precursores de Vasco da Gama: por sua acção as navegações ao longo da costa africana atingem um momento de patético interesse.
Saindo da fase da nebulosa esperança, para alcançarem uma definida certeza; por sua acção se desvenda a existência de um grande império abaixo do Equador, descoberta que, atraindo gente de armas, exploradores, colonos e missionários, tem como consequência imediata a organização da Capitania de Angola, base da colónia da África Ocidental.
Os navegadores portugueses, lançando-se à exploração da costa africana e navegação através do Atlântico, dão início a uma das empresas mais empolgantes da História.
Não pode deixar de causar admiração o facto de ser um pequeno e pobre País a realizar uma das mais difíceis, morosas e dispendiosas iniciativas que um povo jamais realizou.
Se houve empresas humanas que têm repercussão na evolução histórica, os Descobrimentos marítimos portugueses não podem deixar de ser colocados num lugar destacado!
A gesta assombrosa das navegações através dos mares desconhecidos, importa dizê-lo, assenta um dos seus pilares básicos nas vantagens materiais que dela podem advir, mas baseia-se também no misticismo alimentado pelo ideal, na curiosidade científica e na atracção de enfrentar corajosamente o desconhecido, desvendando segredos e desfazendo a bruma do mistério.
Os portugueses da época souberam integrar-se no espírito prático e sonhador, realista e quimérico, preso às realidades terrenas mas pairando alto nos domínios da imaginação, de que o Infante de Sagres é o protótipo mais perfeito.
Desde muito cedo Portugal toma consciência de, a pouco e pouco, ir alargando os domínios temporais, dilatando o Império, e também os valores espirituais, difundindo a Fé.
Luís de Camões,  viveu e escreveu a sua obra principal em pleno século XVI, começa o seu poema admirável salientando estes dois pontos.
Não deixou de dar apenas a imagem do pensamento colectivo, fixando-a em síntese lapidar, não pode sustentar-se que tenha sido ele a criar o conceito, que depois se expandiu e generalizou!
Para terminar cita-se, Ralph Delgado autor da Historia de Angola 1º Volume, edição Banco de Angola refere explicitamente ” se desconhece a razão por que o olvido sepultou esse homem (Diogo Cão) de incontestável valor, que descobriu e legou à nacionalidade os reinos do Congo, de Angola e de Benguela. Pode ter perecido em viagem ou pouco depois do regresso; pode ter desagradado ao rei, por se enganar nas suposições tecidas à volta do caminho marítimo para a Índia e ter sido desconsiderado; pode ter sido vítima das circunstâncias, para o soberano não dever demasiado a um homem só, disposto a fugir a situações equivalentes às do governo espanhol perante a glória de Cristóvão Cólon; e pode, finalmente, tê-lo humedecido a política de sigilo adoptada pelo monarca português, pois parece, de facto, ter D. João II ampliado a rigorosa arte de silêncio deixada por D. Henrique, acerca dos descobrimentos, para evitar os perigos de uma concorrência castelhana mais intensa. Ignorando as razões que provocaram o afastamento e o esquecimento de tão nobre e esforçada figura da epopeia marítima portuguesa, cumpre-nos registar factos no seu significado e impenetrável mistério. Não se sabe onde faleceu Diogo Cão”.
Um dia saber-se-á a verdade? A chave do Enigma reside na escritora Therese Schedel – autora do livro “O Mosteiro e a Coroa “, sobre o mistério que rodeia o roteiro de Diogo Cão?! 
Descreve uma luta sem tréguas que El-Rei D. João III tem de travar com as "senhoras donas" monjas do Mosteiro do Lorvão, para chegar a um importante mapa - que acredita, estar na biblioteca do mosteiro - escrito pelo navegador Diogo Cão, permite chegar às jazidas de ouro e às pedras preciosas na África Ocidental.
A informação de Therese Schedel – do mistério que rodeia o roteiro de Diogo Cão, insere:
«…a não existência dum roteiro de Diogo Cão tem sido um mistério apaixonante».
«...
O navegador desapareceu durante a sua segunda viagem»
«...Os tripulantes que regressaram a Portugal contaram que Diogo Cão se tinha embrenhado terra adentro e nunca mais aparecera».
Muito possivelmente, talvez tivesse sido devorado por um tigre, quem sabe “.
Ora o que decerto não aconteceu foi o capitão levar nesse passeio fatal o roteiro debaixo do braço”.
“…O roteiro era um caderno no qual os capitães e pilotos anotavam dados referentes à navegação, era um diário de bordo. E regressado a Portugal. O que, aparentemente, não sucedeu. Ou regressou e desapareceu depois de ter regressado? Eis o mistério
As viúvas dos homens desaparecidos no mar oceano, recolhiam com frequência aos mosteiros e conventos existentes em Portugal?! Anotavam os motivos pela opção da clausura?! Therese, recolheu tais informações em alguma biblioteca de mosteiro ou convento? Permanece a dúvida.
Falta apenas o que mostra ou confirma a verdade de um facto…
“Diogo Cão jamais regressou a terras de Portugal”. “Ficou por terras da Namíbia”.

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